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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Porque era meio Winehouse





But I'm grown
Mas sou crescidinha
And in your way
E do seu jeito
In this blue shade
Neste tom triste
My tears dry on their own
Minhas lágrimas secam sozinhas

Era um vazio cheio de algo concreto que insistia em gritar. Um vazio teimoso que infiltrava-se no meio do peito e agora não deixava os pulmões executarem sua tarefa de encher o mundo interno de ar, oxigenar a vida.
Puxava o ar e onde ele estava? Preenchendo espaço no vazio moinho crescente. Coisa claustrofóbica...
Era então Alice gigante e as paredes a apertá-la, a dizer que não era suficiente para ela, nada, nada... E então o choro e a consciência da pequenez minusculizada ainda mais, aquelas paredes gigantes a assombrá-la, a chave ali nas mãos mas a fechadura tão longe, tão de alguém que não dela...
Devaneio tolo escrito em letra borrada.
Era o silêncio insistente da chuva fina lá fora, todas aquelas palavras que nunca diziam nada. E ali dentro o sertão. O ser tão.
Aquele vazio todo cheio de silêncio Lispectorano, coisas inomeáveis, medos inimagináveis. O vazio e a cheiura que tudo sempre agradecia.
Era o que esperavam dela, era assim ser gente. E ela conseguia quase forçando um sorriso dizer:
- De nada, de nada.


(Ao som já saudoso de Amy Winehouse: Tears Dry on Their Own)

sábado, 26 de março de 2011

Que seja bom pra mim




"Pode ser que eu a encontre
Numa fila de cinema
Numa esquina"


No meio do trânsito, da chuva, dos possíveis desencontros do Universo se viram ali, cruzamento de ruas, de olhos, de vidas.
E ela por não esperar não soube o que sentir, além da alegria por reconhecer os passos dançarinos dele. Destino besta esse que cruza vidas assim, sinal abrindo, risco de morte.
Figuras de linguagem diriam que é assim, a gente esbarra nas pessoas e a colisão muda a rota, ou não.
Ele voltou como quem rebubina fitas antigas de um passado amarelado e bom, como os dias de verão, voltou por querer que fosse avenida o cruzamento, queria caminho de mão dupla em sentido único, pra frente que é lugar de quem vence.
Mas não era a rota dele, não ainda ou não nunca, não sabia dizer.
Sombrinha e calça social, um sorriso estampado naqueles olhos dela e um jeitinho de dizer adeus que ele tinha, jogando cílios.
E então já eram dois caminhos distantes novamente, um pra cada lado, sinal fechado.
Nele um cruzamento marcado, nela um encontro cruzado.
Quem sabe quais caminhos o sentimento segue nesse mundo de ruas e avenidas?
Que os sinais estivessem abertos então, ele pedia em silêncio.
E ela apenas pensava em como há sempre tempo para atravessar, nem que seja correndo, rapidinho para não ter que pensar na possibilidade ou impossibilidade da colisão de caminhos na contra-mão.


(Ao som de: Segredos - Frejat)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Luz dos Olhos


'Chuva de prata que cai sem parar...
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor'

Todos os dias ela se sentava lá no mesmo lugar, sentindo o vento bater, ouvindo as folhas brincando nos galhos e os pássaros naquele diálogo lindo.
Naquele dia algo alterou sua rotina, a voz dele.
Não sabia de onde vinha, mas logo sentiu que ele estava ao seu lado, chegou como quase todos os amores chegam mesmo, em silêncio mas em confusão.
Sentou ao lado dela e já começou a tagarelar sobre as nuvens que se formavam com jeito de chuva, sobre como o vento estava mais forte e sobre como tinha certeza que nunca a vira antes.
Sorrindo ela se permitiu calar, mesmo cheia de vontade de gritar que esperara por alguém a vida toda, sorrindo ela se permitiu calar sobre o porque de sua solidão e fingiu enxergar os desenhos que ele descrevia em todas as nuvens, fingiu saber a tonalidade exata do cinza chumbo e fingiu que sabia que os olhos dele eram os mais lindos que já vira.
Mas ela não via nada.
Se acostumara ao destino que a vida lhe oferecera e nunca reclamara, só que naquele dia, só naquele dia ela sentiu muita vontade de ver um rosto, de ver a cor do cabelo que ela sabia que estava balançando enlouquecido no meio de tanto vento.
E a chuva chegou, ele a segurou pela mão e correram para a sacada mais próxima, ela se deixando guiar, sem medo, porque das mãos dele vinha uma segurança tão boa de sentir.
- Você não disse praticamente nada até agora - ele refletiu..
- É porque gosto do som da sua voz - ela mentiu - e também porque estava te desenhando em mim.
Ele sorriu, ainda sem entender.
- Posso te pedir um favor?
Ela sabia que podia então nem esperou resposta.
- Eu queria ver a chuva como nunca vi antes, você me mostra?
Segurando firmemente a mão dela, começando a entender mais sobre aquela garota misteriosa de olhar distante, ele a levou para o meio da rua.
- E como estão as nuvens agora?
Então ele sentiu uma vontade tão grande de não dizer nada que apenas a abraçou.
E ela se deixou ficar no primeiro abraço que sentia de um garoto na vida, o primeiro abraço que a fazia enxergar mentalmente um mundo novo.
- As nuvens ainda estão lá?
- Não, elas estão indo embora. E se você quer mesmo saber, acho até que elas estão envergonhadas.
- Não deveriam, você me disse que elas eram tão belas.
- Disse? É que eu ainda não tinha reparado na menina que se sentava todos os dias no mesmo lugar.
E então ele a beijou nos lábios com a maior delicadeza que conseguiu, esperando uma resposta dela para prosseguir.
E desde aquele dia a chuva para ela tinha o cheiro dos lábios dele, a chuva tinha o som do sorriso do garoto dos sonhos que era real.


(Tema Proposto por Bloínquês)
(Ao som de Chuva de Prata - Roupa Nova)

(Primeiro Lugar da Semana!! Obrigada galera do Bloínquês!)

terça-feira, 2 de março de 2010

Apenas diga o que preciso ouvir


'Então me diga
Se você ainda gosta de mim
Porque de você eu gosto
Isso não deve ser assim
Tão ruim'


Hoje nós tivemos aquela conversa tão importante debaixo de uma sombrinha estampada com as cores do arco-íris.
Hoje eu vi o quanto te amo tanto, bem mais do que eu sempre pensei que seria capaz de amar alguém, é clichê, mas você sabe que eu não sou essa chorona que desaba só de sentir você tocar meu rosto.
Deus, como eu te amo!
Eu bem que vivia dizendo que esse era o método de descobrir o quanto alguém é especial, se imaginando sem.
Doeu tanto, ainda está doendo, mas agora eu tenho um pingo de esperança do tamanho de toda a chuva. A chuva que pra a gente tem tanto significado.
Parece que sempre esteve chovendo para nós, não é mesmo?
E para todo mundo a chuva é nostálgica, para mim é você.
Você que eu nunca quero perder, você que me faria desistir de todos os sonhos, porque não tem graça a realização se eu não puder estar ao seu lado para comemorar.
Parece exagero, pouca gente ama assim.
Mas é egoísmo mesmo, eu não quero não sorrir todos os dias quando acordo, não quero sentir o frio que senti só de me imaginar sem você.
Não me quero sem você.
Fazer o quê se até a me amar eu aprendi com você?
Sou uma boba saída de comédias românticas, você sempre diz.
Espero tanto, tanto, tanto que hoje seja mais um capítulo de uma história de lágrimas, chuvas e sorrisos no fim das contas.
Porque quero acreditar que você é o único que tem paciência, o único que é capaz de entender as burrices que eu faço, o único que é capaz de perdoar quando eu estrago tudo, quando eu por medo de perder você, te escondo meus problemas.
Quero acreditar que a gente é pra sempre e bem mais, que a gente é pra todo o resto que vier depois do pra sempre.
Quero que no fim do dia você me abrace e me faça chorar de novo só pelo seu toque, porque eu entendi que eu desisto de tudo com o sorriso nos lábios, se não precisar abrir mão de você.
Cansei de dizer, mas 'não quero nunca te perder'.

'Pra você guardei o Amor que nunca soube dar...'

(Ao som de: Me diga e Pra Você Guardei o Amor - Nando Reis)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Because I had a bad Day


'Raindrops keep falling on my head...'
(Gotas de chuva continuam caindo sobre minha cabeça...)


Voltou a chover lá fora e aqui também, mas em mim a chuva sempre vem trazendo coisas boas.
Lógico que traz a nostalgia, mas eu aprendi a sobreviver a ela.
A chuva me trouxe muita esperança dessa vez, era tudo que eu precisava.
Ela veio me mostrar que é a confirmação de que o que foi plantado brotará, não se pode desistir, o vento por mais forte que seja não arranca o que tem raízes profundas, sempre digo isso.
Ontem durante o temporal me deixei ficar sentada no meio do vento e da chuva violenta, deixei transbordar tanta coisa boa e agora que a chuva está calma sinto novamente que as coisas têm solução, sempre têm.
Às vezes eu gostaria de fugir em um balão para ver a vida lá de cima, para ver como os problemas que parecem imensos são tão pequenos olhados por outros focos.
Estou mais forte, espero.
Quero muito continuar com todos os sonhos, quero a realização deles e a presença de pessoas que me são tão especiais.
Quero e vou lutar, porque não combina comigo essa postura de samambaia de quintal.
Deixa chover, deixa brotar as sementes, renovar o solo e transbordar o novo.


PS: Muito obrigada mesmo aos amigos tão queridos que estão sempre ao meu lado, obrigada a amiga que mesmo sem entender me estende a mão, e a tantos outros que eu conheci através do blog e que fazem parte de algo maravilhoso dentro de mim!
Obrigada também aos novos seguidores do blog e àqueles que me visitam a partir do orkut. Esse espaço existe pra vocês!

(Ao som de: B. J. Thomas - Raindrops Keep Falling on My Head)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Chove chuva, chove sem parar

'Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar...
Um beijo molhado de luz
Sela nosso amor!'

Tá uma chuva enlouquecedora aqui.
E eu esperando você chegar... Apertando o coração até o limite.
Fiquei pensando, pensando, pensando...
Na força renovadora da chuva, ainda mais essas assim, típicas de verão.
O dia foi um calor insuportável, e no fim ela chega, pra reanimar, renovar o ânimo, levar tudo de ruim que ficou.
Eu gosto da chuva, mais ainda das tempestades. Porque eu já disse, a gente sabe o que de fato era verdadeiro depois de uma tempestade, aquilo que é superficial, não sobrevive ao vento, aos raios... Só o que de fato tem raízes profundas continua ali, firme.
Já passei por tantas tempestades!
Essa última talvez tenha sido a pior, porque eu escolhi entrar nela.
Sabe, eu entrei na chuva pra me molhar mesmo.
E hoje, já quase totalmente seca do tanto de chuva que veio com tudo isso, eu começo a me enxergar mais limpa.
A água veio e lavou mesmo minha alma, limpou o terreno e foi importante pra tanta coisa nova que brotou.
A chuva que renova.
Hoje eu sinto de novo o meu cheiro, vejo de novo o meu rosto, e a cada dia gosto mais de novo das minhas canções, dos meus autores, das minhas coisas.
Não é egoísmo, foi altruísmo demais em outros tempos.
Aquilo de amar intransitivamente, sem pedir complementos, amar ainda que sozinha.
Não presta.
Amor só vale a pena quando é acompanhado.
Lindo demais isso do amor incondicional, mas taí uma coisa que só funciona na teoria.
Pra amar, tem que ser junto. Ainda que junto/separado.
E aqui, você lá longe.
Pra amar tem que tá perto ao menos na alma.
E tem que saber entender as tempestades internas do outro também.
Aquele monte de conflito que a gente nem sabe de onde brota, mas vem como erva daninha, fruto do vento, sem semear.
O amor, se fosse uma árvore, seria um carvalho.
Imenso, mas aos poucos. Um dia de cada vez, um centímetro a mais.
Aos poucos.
E tem que entender também que é preciso suportar as larvas se quiser conhecer as borboletas.
É preciso entender a chuva se quiser ver o sinal da alinça após ela.
Eu gosto da chuva, ela me traz a certeza de que daqui a pouco, vai chegar meu arco-íris.
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