
'Existe aqui uma mulher, uma bruxa
Uma princesa, uma diva
Que beleza
Escolha o que quiser!
Mas ande logo, vá depressa
Não se atreva a pensar muito
O meu Universo ainda despreza
Quem não sabe o que quer...'
Ela também era humana, mas porque ela não podia ficar muito estressada e quebrar tudo? Porque ela tinha que manter a pose e sorrir mesmo explodindo por dentro? Porque ela tinha que ser centrada quando todos perdiam o foco de vez em quando?
Ah, porque ela nascera para ser a Senhorita Perfeição, por algum motivo besta no dia do nascimento dela a Fada Madrinha não estava presente, então uma bruxa muito má roubou a cena e em meio aos familiares decretou que ela teria que ser o 'exemplo', ela jamais poderia pisar fora da linha, caso o fizesse, ela viraria uma bruxa também.
Foi um chororô danado dos pais, dos tios, até das primas. E ela cresceu com esse estigma, todo mundo brincando de terra e se sujando, ela não podia, afinal, ela tinha um destino e não havia tempo para brincar.
De vez em quando ela se questionava porque as melhores notas eram sempre as dela, porque todos os coleguinhas corriam enquanto ela fazia compulsivamente a lição, porque todos tinham cicatrizes e ela tinha o rostinho intacto.
Mas ninguém esperava que a garotinha um dia fosse chegar à adolescência.
Começou sutilmente, ela disse que não tava afim de ir à aula, foi e matou período, matou período e arranjou um namorado.
Chegou em casa e decidiu que queria a vida dela. Que se danasse a perfeição, que se danasse os planos que os outros tinham traçado para ela, o destino era dela e ela podia alterá-lo quando bem entendesse.
Virou uma bruxa, mas até que gostou.
Pela família foi considerada a egoísta, pelos amigos, o exemplo a se seguir.
Para ela, que era de fato a opinião que importava, passou a ser comum, às vezes bruxa, às vezes santa, às vezes diva.
Vai saber distinguir.
Vai saber distinguir.
(Música: Devolve Moço - Ana Cañas)