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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dos caminhos





Ana Terra questionadora que era ensaiara durante tempos a pergunta ao professor de ciências, e agora ali, na beiradinha da mesa apertando as mãos e quase relutando, medo de ser idiota, aquele medo que as adolescentes sempre têm.
- Professor, sendo a centopeia cheia de pernas, não era certo ela ter mais desenvoltura?
E o professor deu um tempo em guardar os materiais categoricamente, como fazia todos os dias, todos os períodos e resolveu prestar atenção na menina de franja meio torta, olhar marcado e mãos vivas.
- Mas é que ela tem muitas pernas pra sentir melhor por onde passa, pra ter certeza, firmeza.
E aquele dar de ombros tão Ana Terra.
- E se ela não quisesse, e se ela quisesse só voar, ser borboleta, sei lá professor!
Sorrindo ele fez como ela, deu de ombros, não entendia da natureza das coisas que faziam a centopeia, não entendia porque às vezes não havia como voar, não entendia como uma menina de treze anos pensava coisas assim.
Mas a vida era essa, não haviam respostas, não para todas as perguntas.
Podia-se apenas tentar aproveitar o toque de todas as pernas enquanto a sensação das asas batendo não viesse.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Da metáfora que se parte


"Pelas esquinas de olhares indiscretos
O nosso amor quebrou feito objeto"

É que vieram crises e você não estava pronta para elas. Eu fiz muitas promessas e de consciência tranquila olho para os objetos que você com tanto cuidado escolheu para decorar o nosso lar. Nunca gostei da sobriedade imposta por você com tantos tons de marrom, mas era para ter o seu toque, hoje todo esse marrom me faz lembrar uma proteção de tela típica dos Estados Unidos, todas aquelas folhas caídas no chão, sem vida.
Eu queria cor, pedi demais.
Não estou aqui culpando o seu perfeccionismo ou a sua mania de organização, não estou culpando as noites em claro que passei tentando entender porque era tão simples para mim e tão complexo para você. A culpa é minha por ter acreditado demais, investido demais, amado demais.
A culpa é toda minha e não é o desamor que me corrói, é ela. Ela me faz sofrer porque eu quis tanto que fôssemos o casal do século, eu quis tanto que você fosse minha princesa, minha rainha, meu porto de paz. Eu só quis você. Isso faria algum mal, uma hora ou outra.
E você saiu pela porta da frente, sem bater ou deixar cair uma lágrima, você saiu tão segura que eu não pude ficar esperando você voltar, eu vi nos seus olhos que não havia volta. 
Hoje eu vejo nesses objetos milimetricamente colocados sobre a mesinha de centro, eu enxergo o seu reflexo turvo me dizendo que eu não sei o que quero da vida, que devia ter mais pretensões, devia ter ambições. Pra quê?
Eu as tinha, eram tão óbvias. Tinha a ver com filhos e um cachorro correndo, não tinham a ver com você enfurnada na cozinha nos alimentando. Eu sempre quis o seu crescimento, não seja falsa consigo mesma.
Mas eu sonhei e sonhos simples não movem o seu coração construído com a revolução industrial. Você sempre precisou de mais que ventos para mover o seu moinho, algo como eletricidade ou energia nuclear, talvez.
E agora eu tenho rompantes de quebrar tudo isso, de pichar os seus quadros sóbrios, de perfurar suas almofadas e redecorar todo o ambiente.
Quantas mil vezes você me disse que era pra sempre? Não foi.
E não fui eu quem matou ou destruiu, sinto muito por ter que te dizer a verdade dessa vez.
Você acabou com tudo que era realmente sólido, aliás, talvez nunca tenha existido algo sólido. Talvez todos esses tons opacos indiquem que éramos fadados ao fracasso, desde o princípio. Eu tão desantento não notei que nunca estive mesmo com você. Nunca notei que os sonhos de família eram meus, os seus eu não sei bem quais são, até hoje.
Quando você saiu inundando tudo de outono eu me senti tão mal, tão triste por ver acabar assim a nossa história. Mas hoje eu enxergo que havia um mínimo de dignidade na sua atitude, você me libertava. Obrigada por me mostrar que pode-se redecorar uma vida.
Quero que venha alguém disposto a pintar paredes de azul, vermelho ou roxo, quero que venha alguém que não se importe se elas não estiverem pintadas. Alguém que me chame de bobo por acordar em meio da noite apenas para olhá-la, porque eu nasci esse tipo de pessoa, sonho acordado.
E quero que você não volte para buscar nada, esqueça que construímos uma casa de joão-de-barro. Olhe o céu e tente ser canarinho, tente cantar sem saber a melodia e colorir a vida de alguém. 
Por nós mesmos já somos nublados o suficiente, ninguém precisa de mais cinza em sua vida, aquarele-se.
Acordei, em todos os sentidos.


(Ao som de: Fotos na Estante - Skank)
Texto para a edição roteiro do Bloínquês

terça-feira, 7 de junho de 2011

E agora foi


"So much to be done
Tanta coisa para ser feita
Everything works out
Tudo vai dar certo
So they say...
É o que dizem...
It's tough getting older
É difícil envelhecer"

Eu nunca tive pretensões com os 18, mas elas vieram em cheio com os 21. Alguma coisa me dizia que seriam libertadores. E foram.
Foi o ano das conquistas, mesmo eu não trazendo para casa todos os troféus. Nem todas as conquistas se resignam em ganhar tudo.
Ainda tenho muitos medos, vários sonhos infantis e vontade de não sair da cama quando estou triste. Mas hoje tenho firmeza nas pernas e brilho nos olhos pra ter certeza que meu futuro só não será grande se eu não permitir.
Esse foi o ano das surpresas! A formatura, o baile, o casamento da melhor amiga, o novo emprego, a cidade nova, morar sozinha, fazer novos amigos, ver sonhos antigos se tornando reais... Eu sobrevivi aos vinte e um. Sobrevivi quando puxaram meu tapete, sobrevivi quando vi que nem tudo é como se quer, sobrevivi quando olhei para o lado e descobri que agora era apenas eu.
De presente por tudo isso eu ganhei a solidez de um amor segredado, cantando canções só nossas. Ganhei o brilho de um olhar novo que se esforça para me entender, ganhei aceitação mútua. Do presente eu arranquei os frutos e fui plantando, ralando os joelhos aqui e ali, mas tão afim do que eu sei que virá.
Envelhecer é difícil e encantador. A gente começa a se preocupar mais com a saúde por saber não ser de ferro, começa a ver que algumas metas estão bem próximas e que querendo ou não, a vida continua, com ou sem você.
Envelhecer exige guardar no peito o que é lindo da infância, o que é certo da adolescência e o que vem pra ser adulto.
E é acima de tudo olhar o novo com um carinho de quem saboreia as sensações com experiência de tato, de paladar.
Se fosse fácil, não seria envelhecer, não seria nascer.
Bonito é isso, que a gente não estando terminado vai se alterando, aprendendo com os erros, errando de novo, perdoando e sendo perdoado.
Eu soube desde o primeiro minuto que esse ano seria especial. Que venha então o novo e traga mais felicidade, mas que respeite o velho, sempre.
E que quando eu acordar amanhã sinta amanhecer um novo ano todo cheio de possibilidades lindas!

(Ao som de Older - Colbie Caillat)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Porque eu não quero mais





Caríssimo Lado B,


Sabe que ando pensando no quanto você é medíocre? E para piorar, o quanto eu sou medíocre por permitir que você me governe algumas vezes... Lógico que você não é um assassino em massa que aflora dentro de mim e me faz cometer atrocidades, mas não se sinta melhor por isso. Você me mata aos poucos, e pior, você mata os meus sonhos. Os nossos sonhos.
Deve ter sido alguém que nos disse no passado que covardia era ser sensato e você acreditou. E você por tantas vezes me faz parar diante de um desafio por não poder errar. Quem foi que nos impôs que seríamos exemplos de perfeição? Me diz! 
Eu odeio o fato de me sentir insegura por sua causa, o fato de tremer ao escrever alguma coisa e você ficar me dizendo que eu deveria ir por um caminho mais fácil, porque o caminho que sempre escolho pode nunca deixar de ser um caminho de sonhos.
Eu não me importo de me parecer com Alice e tentar seguir coelhos brancos com relógios, eles me levarão a algum lugar. Ficar sentada esperando a vida passar não vai!
Por sua causa eu me importo com que os outros dizem e fico sempre com a sensação terrível que poderia ter feito algo para melhorar as coisas. Não posso, aprenda isso. Nem tudo está sob controle e mesmo que estivesse, nem tudo eu preciso controlar, eu quero.
Às vezes eu me lembro de quando era criança e você não existia, ou morava em qualquer canto da minha imaginação tão fértil que eu não te dava a mínima confiança. Eu pulava do balanço em movimento. Eu entrava no rio sem medo de me afogar e o melhor, eu sorria tanto, aquela risada que criança tem e que contagia.
Vá procurar o seu canto novamente e faça o favor de se aquietar lá. Fique estagnado e faça parte da paisagem, se é isso que você deseja. Mas cale-se.
Cale-se porque eu não quero acreditar que não sou capaz só porque errei em alguma coisa, eu não quero achar que sou pouco só porque a exigência é muita. Não quero me sentir pequena diante das coisas e muito menos diante dos meus sonhos. Eu sou do tamanho da minha vontade de vencer.
E você, você é do tamanho da minha fraqueza, é insignificante querido. Ponha-se no seu lugar!
Esqueça que um dia eu te ouvi, esqueça que você tem uma voz porque eu não estou disposta a deixar nada nem ninguém me fazer desacreditar que mereço o que batalho para ter. Ainda mais alguém dentro de mim.
Se eu tiver que passar madrugadas em claro por um sonho que pode não acontecer agora, um dia essas madrugadas terão valor e não vai ser você quem vai me fazer chorar ao constatar que o tempo das coisas não é o mesmo que o da vontade de que elas aconteçam.
Eu não sei mais quem você é, não escuto mais sua voz e finalmente, não acho que você seja digno das minhas palavras. 
Eu tenho mais o que fazer com elas, vou escrever o meu futuro.


Tay. 

(Texto para a 38ª edição cartas do Projeto Bloínquês)

terça-feira, 8 de março de 2011

Pro que for preciso, Mulher




"Minha força não é bruta
Não sou freira 
Nem sou puta"

A mulher tanto brigou que hoje tem o seu lugar ao sol, acorda cedo, pega o seu próprio carro, enfrenta um patrão que pode ser homem, mas que também parece ter TPM, fica exausta, paga suas próprias contas e no fim do dia volta pro seu doce lar, onde algumas vezes filhos e maridos a esperam.
Me desculpem as ultra feministas de plantão, mas não faz meu tipo.
Não que eu goste de ser totalmente dependente do sexo masculino, mas eu apenas penso que se somos diferentes, para quê tanto trabalho para ficarmos iguais?
Trabalho fora, tenho minha grana e ainda assim gosto quando ele paga para mim. Por quê? Porque ele é o homem. Lógico que dividimos quando é necessário, lógico que eu também pago sozinha, mas para mim a masculinidade e a femilidade não está em quem vai pagar a conta, ou ainda em que dirige o caminhão e quem vai para a cozinha.
Ser mulher ou homem é por dentro antes de ser para o mundo.
Eu não nasci homem, não sei ter a praticidade que eles têm, não sei escolher rapidamente, não se me arrumar às pressas, mas para compensar eu tenho o hemisfério direito desenvolvido, eu sou mais sensível.
Não sou preconceituosa, nem machista, sou apenas feliz como sou.
Tenho orgulho de ser mulher, de ser o sexo frágil, é maravilhoso quando estou doente e ele cuida de mim. Só não me permito viver para isso, quem me conhece sabe que não faço o tipo Amélia.
Sou a favor dos direitos iguais, assim como dos deveres, no entanto sou a favor também da liberdade, cada um tem que ser aquilo que é, pronto.
Parabéns para a mulher que larga tudo corre mesmo atrás do sonho, para a mulher que hoje dirige empresas, para a mulher que governa uma nação. Parabéns para o homem que quebrou o tabu e foi pra cozinha, que cuida dos filhos, que lava roupa como ninguém.
O que vale é estar bem com seus sonhos.
Os meus envolvem uma carreira profissional, mas não deixam de envolver uma casa, um marido que de preferência tenha força suficiente para abrir o vidro de azeitonas.
Não vou erguer a bandeira do feminismo para depois reclamar que os homens não têm sensibilidade comigo, que eles não me entendem e que me tratam como se eu fosse um deles. Gosto de ser tratada como mulher, gosto que não falem palavrão perto de mim, que não fiquem com as brincadeiras toscas que eles fazem entre eles, que me cumprimentem com beijos e não com soquinhos nos ombros.
Me permito ser mulher, defender meus direitos e deveres sem deixar de ser feminina.

Um Feliz dia Internacional da Mulher para todas nós.


(Ao som de duas mulheres e tanto em Pagu - Rita Lee e Zélia Duncan)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sonhos que podemos ter


'Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão
Sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão'

No meio de milhares de sentimentos que me ocupavam, a liberdade foi mais forte. Ela veio tão vibrante, vestida de roxo quase cintilante, dançando e dando pequenos saltos vez ou outra, inundava meu estômago, trazia brilho para os meus olhos e leveza para os passos confusos, em um lugar tão novo.
O mais estranho era justamente não me assustar com o fato de não conhecer nada nem ninguém, eu me sentia tão dali. Tão feita sob medida pro espaço no meio do monte de gente alegre e com vontade de saber mais.
Como no poeminha do Quintana: 'se as coisas são inatingíveis, ora, não é motivo para não querê-las, que triste os caminhos se não fora a distante presença das estrelas'.
De um jeito gostoso eu desejei tanto que pareceu ser possível, pareceu bem mais próximo, mais real. Palpável.
E quero mesmo que seja, afinal, agora vejo que depende só de mim.
Da melhor viagem do ano eu trouxe a vontade de ser mais forte que penso ser capaz de ser. Filosofia estranha e complicada. Mas se até naquele calor houve chuva de gelo, porque eu não posso ir além do medo e do preconceito e chegar até lá?
Preciso muito agradecer a todos que conspiraram a meu favor e me permitiram tudo isso, fundamentalmente àquela que ocasionou e me mostrou que ali era o meu lugar. Obrigada por sempre acreditar em mim.
É bom estar de volta, ainda que tenha deixado boa parte de mim por lá, é melhor ainda saber que não vou me esquecer de tudo, logo logo vou buscar o que me falta.
Se Deus permitir e fortalecer minhas asas.


(Ao som de: Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii)

'Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta:
Não há quem explique
E nem quem não entenda'.
(Cecília Meirelles)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Filha, a tua fé te salvou.


'Se eu apenas Te tocar um milagre viverei em minha vida'

E o mundo ainda está diferente, eu ainda tenho medo de muitas coisas, ainda não sei ao certo o que acontecerá a partir de dezembro, só que eu tenho segurança.
Eu ouço as batidas do meu coração e as sinto, uma a uma, quase posso sentir o sangue deslizar nas veias, renovando as células.
Vem dEle.
A vontade de sorrir para o novo, para o de sempre, para os outros na rua e para os de dentro, aqueles com quem mais convivemos e com quem temos menos paciência. A vontade de não sair de perto dos braços de segurança nos quais Ele me envolve, a necessidade de agradecer, o tempo todo, por tudo.
E isso tem me deixado sem palavras, não por não querer dizer ao mundo o quanto estou bem e feliz por perceber a fragilidade com que meu coração bate, a pulsação forte e fraca do meu sangue, eu fico feliz por saber que há um propósito para esse sangue circular, há um propósito para minha vida, eu não estou aqui por nada, não vim ocupar espaço nesse Planeta não-lugar.
Eu tenho o meu lugar, ele não é aqui, mas eu estou aqui por um motivo, um objetivo que não sei qual, mas que quero viver o melhor possível, para Ele.
Independente de tudo, dependente.
Livre dentro dos braços e planos daquEle que tanto me ama.
Tão estranho me ver falando de Deus assim né?! Mas eu jamais quero falar de outro modo.
Eu quero que você entenda a minha gratidão, e quem sabe até enxergue isso em você também. 'A minha fé vai me levar onde o impossível torna-se real', você pode acreditar também, não é difícil, é só enxergar o quanto sua vida é abençoada.
A minha é.
Graças a Ele pela chance de vivenciar tudo de maravilhoso que tem para nós. Sempre.
E sempre.

Tradução da imagem: "Porque eu sei os planos que tenho para você. Diz o Senhor. Planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhe esperança e futuro"

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bye, Baby!



'So let me on down
(Então me deixe)
Because time has made me strong
(Porque o tempo me fortaleceu)

I'm starting to move on
(Estou começando a seguir em frente)
I'm gonna say this now
(E vou dizer isso agora)
Your chance has come and gone
(Sua chance veio e foi)
And you know
(E você sabe)
It's just too little too late'
(Está um pouco tarde demais)

Eu ainda me lembro de você me perguntando: 'querida, posso abraçar você essa noite?'.
Só que agora você não pode mais, você até mesmo não vai querer mais...
Sabe a casa que nós sonhamos construir juntos e ainda os filhos que a gente sempre imaginou correndo pelo jardim? Bem, eles não virão mais, espero.
Sabe quando você me beijava e fazia o mundo parecer melhor, sabe quando eu queria que tudo acabasse ali pra que nunca mais eu tivesse que me separar do seu olhar?
Ah, sinto muito, mas eu mudei.
Pudera, eu precisei mudar, foi o golpe que você me deu, acontece com as melhores famílias, dizem por aí.
Agora eu não quero mais, sinceramente, pensei mil vezes no que te diria e me permiti ficar tanto tempo em silêncio porque não te achava merecedor de nada que saísse de mim, nem mesmo dos palavrões que você mereceu.
Ah querido, hoje eu vejo o mundo de outra forma, até fico feliz pelo que você me fez.
Não, não estou enlouquecendo, mas é que descobri que os campos também são verdes fora do mundo que você me prometeu. Da janela do ônibus eu vejo os pássaros seguindo alguma coisa que não enxergo, vou 'passarinhar' por um tempo, desculpe se eu não quero mais realizar os nossos sonhos, mas vou tirar um tempo para sonhar sozinha.
Vou sentir o vento bater no meu rosto e bagunçar meu cabelo, vou de alma limpa e se eu me apaixonar de novo não vou desfilar com ele na sua frente, eu tenho um mínimo de decência, não se preocupe.
Lembra como você sempre ficava zangado quando eu me vestia fatalmente, bem querido, agora eu estou vestida assim e quando a sua carta chegar, estarei ainda melhor, provavelmente, porque aqui estou um pouco amassada devido à viagem.
A viagem em busca da menina que fui um dia, ou quem sabe a viagem de despedida dela, quando eu voltar se você ainda estiver aí, estacionado ocupando a vaga que não mais te pertence, por favor, junte os cacos que sobrarem do mundo perfeito que você quebrou. Ele não me interessa mais, não vou viver de colar as coisas, vou procurar algo novo e melhor.
E se por acaso você quiser procurar por mim, não o faça.
O lugar para onde vou é só meu. Lá é o meu mundo. Não há mais espaço nele para você e seus sonhos que se quebram facilmente.


Tema proposto por Bloínquês

(Ao som de: Too Little, too late - JoJo)
(O texto é fictício, não é inspirado em um momento pessoal nem em alguém, é apenas obra da minha imaginação)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval de Alma


'E brincar o Carnaval
Viver uma fantasia real'

Então já é Carnaval, a festa das cores, da alegria...
Não tenho grandes pretensões até porque não sou o tipo que sai pulando atrás de trio elétrico ou em blocos, se tem mais de cinquenta pessoas reunidas debaixo desse calor pode apostar que eu não estou lá!
Mas é bom ver a alegria estampada no rosto de todo mundo, é bom ver tanta gente animada, tanta gente de rostos pintados e querendo ser feliz.
Espero o melhor Carnaval de todos, com muita cor, muita alegria, muito descanso e até um pouco de agito!
Que seja Carnaval nas nossas vidas, antes até de ser no mundo, que sem vergonha a gente saia com o melhor sorriso, tire a fantasia de dentro do armário e vá em busca daquela Colombina misteriosa, a Felicidade.

(Ao som de: Colombina - Ed Motta)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Do outro lado do reflexo do Espelho


'Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz'

Aos poucos eu vou me deparando com novas facetas de mim e vou me acostumando novamente a ser essa metamorfose ambulante, por mais clichê que isso pareça.
Tive uma crise séria semana passada, o que me afastou do blog, aliás, acho que venho em crise faz um tempinho, deve ser a crise dos vinte.
É que esse ano eu termino a faculdade e eu não sei o que fazer! Pode não parecer assustador, mas para mim é demais!
Quando eu tinha dezessete anos e todos os meus amigos estavam em dúvida sobre a profissão, eu tinha certeza que queria cursar Letras. Mas e agora?
Agora eu tenho o mundo todo pela frente e cheguei a pensar em cursar até Engenharia Civil! Quem me conhece sabe que esse é um indício de que eu realmente não estava bem!
Aí eu fiquei pensando que a gente se preocupa tanto com o futuro que acaba se esquecendo de vivenciá-lo.
Planos e mil planos pra no fim acontecerem duas coisas: ou você concretiza e faz mais planos ou você se frustra e faz outros planos.
Hoje fiquei muito triste porque um plano não deu certo, chorei muito, quis que o mundo acabasse pra que eu não tivesse que sofrer por não conseguir concretizar tudo de tão legal que planejei. Mas a vida não acaba porque a gente não pega um edital. Ela não acaba porque a gente não passou no vestibular que queria. Não acaba porque sua melhor amiga foi embora ou porque seus pais querem que você curse uma coisa e você outra.
É meu amigo, a vida só acaba por motivos que eu não sei ainda quais são, mas pra ser sincera, se você respirar fundo por dez minutos vai desistir de querer que ela acabe.
Eu não sei o que vai acontecer comigo até o fim de 2010, eu não sei se vou tentar a prova do mestrado, se vou tentar outro vestibular, se vou me mudar pra uma cidade nova.
Eu não sei nada.
E eu não quero saber por enquanto, de vez em quando a gente tem que sorrir e deixar o vento soprar, o tempo vai passando e trazendo respostas, moldando tudo.
Peça desculpas àquelas pessoas que sonharam junto com você e que viram o sonho ir embora, não foi culpa sua. Peça desculpas a você e se orgulhe de ter feito o seu melhor ou até mesmo de ter feito apenas o possível. Você fez o que tinha que fazer, não dá pra voltar atrás do tempo, até porque o tempo não ia dar conta de ser rebubinado tanto.
Eu ainda penso que se nada der certo eu vou virar hippie.
Mesmo assim eu vou ser eu, mudando sempre, desejando sempre coisas novas e diferentes, tentando não planejar mas planejando, tentando não errar e errando.
Uma coisa é fato e é plágio: 'a vida tem a cor que você pinta'.
Sabe de que cor é a minha agora?
Ela é branca. Um íncrivel contraste com o meu nariz pintado, meu cabelo bagunçado e minhas roupas coloridas.
A minha vida não pode ter outra cor, ela tem a cor do novo, a cor do que ainda vai ser escrito, a cor que eu quiser!

''Olha lá que os bravos são escravos estão cansados de sofrer... Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida... Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar... Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar, pra não faltar amor...''

(Pelas notas de: Todo Carnaval tem seu Fim - Los Hermanos e O Vencedor - Los Hermanos)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Acredite e mude... Ou não.


Ai que saudades de postar aqui!! Nossa, desde o ano passado que não venho divagar e aliviar minha mente nesse espaço...
Resumindo o máximo que é possível, o fim de ano foi melhor do que o esperado, e olha que eu sempre espero muito! Amor esteve ao meu lado o tempo inteiro, acho que nunca estivemos tão juntos...
O ano começou e eu resolvi bater perna por esse mundão, exagerando bastante... Acabei vindo parar em Volta Redonda, anos que não vinha visitar meus tios...
Ontem fui ao cinema assistir Avatar, confesso que quando fiquei sabendo do lançamento milionário não fiquei animada, pessoa metida a cult que não valoriza filmes tão tão caros...
Mas o filme é espetacular! Não sou a maior fã de ficção científica, mas esse merece aplausos de pé pela história, aliás, bem parecida com o que uma certa nação ultra rica e poderosa já faz com países do Oriente Médio...
Romances à parte, pensei que fosse até chorar no filme, me emocionei, torci pela derrota da minha própria espécie e saí do cinema de alma lavada e coração na mão.
Às vezes os humanos são tão desumanos, e não é só em filmes, infelizmente, é na vida real, a gente mata e massacra a Natureza, nossos irmãos, tudo.
A gente não 'prestamos'.
Fato!
Espero que o filme traga algo novo para os milhares de espectadores que estão lotando as salas, a minha estava super lotada!
Espero que o ano novo traga, que o filme traga ou que simplesmente num rompante de sanidade, sejamos de verdade mais humanos em 2010!
E em 2011, 2012, 2013... Que sejamos humanos, só isso.


PS: Gente, nem sei como agradecer a todos os meus amigos e amores, a todos os seguidores e apenas visitantes que passaram por essa página em 2009... O blog começou por que não me cabia mais tanta coisa no coração... Agora não sei mais largar esse espaço, sinto falta de vocês que passam por aqui... Agradeço muito a Deus por cada novo amigo que esse espaço me trouxe... Mesmo! É por vocês que vale a pena...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A menina da Metamorfose Ambulante


'Meus cabelos pela grama e eu sem nem querer saber

Por onde começo ou onde vou parar...

Vou adiante como posso

Liberdade é do que gosto...'



Todos os dias enquanto vou para a faculdade fico olhando a paisagem pela janela, ouvindo qualquer canção e pensando pensando na vida...
A vida é mesmo movimento, acho que eu sempre soube disso, mas depois que li Clarice eu entendi que a vida é mesmo transfiguração.
Tudo muda.
E isso é tão maravilhoso!
Fala sério, já pensou como deve ser super tedioso ser um eucalipto? Plantado em fila, tão igual aos outros, sempre tombando para onde manda o vento, sempre em uma dança simultânea...
Não nasci para isso sabe... Nem coreografia eu conseguia fazer, ainda bem!
Porque é tão mais divertido você mostrar o seu ritmo, para quê seguir alguém?
Para quê ser a cópia do movimento do outro, se você tem o seu próprio ritmo, a sua própria ginga, se você tem o seu jeito único de se movimentar?
Eu não nasci para eucalipto não.
Eu fico olhando todos os dias, nem a paisagem permanece a mesma, às vezes o céu está mais claro, às vezes existem muitos carros pelo caminho. Nem a paisagem se contenta em ser sempre do mesmo modo!
Por que eu então é que tenho que ser?
Pra quê ter sempre a mesma opinião, o mesmo ponto de vista, a mesma respostas?
Não vale a pena ter tanta certeza, no fim vai tudo mudar mesmo e as respostas que você achou que eram certas, já mudaram.
Lógico que não dá para viver uma vida tão relativa assim, eu nem sei se acredito na relatividade mesmo. Há que se ter algumas certezas, no mínimo. Eu tenho as minhas, não digo que não são inabaláveis, mas eu luto por elas.
Acho que é tudo questão de acreditar, eu acredito nas minhas certezas.
E acredito também na força da dúvida.
A força que faz o mundo girar, que faz com que eu não seja uma paisagem monótona. Pelo amor gente, nem o deserto tem sempre a mesma forma!
Hoje eu gosto do branco, amanhã se quiser amar o preto me permito mudar.
Eu vejo a beleza da metamorfose, Martha Medeiros diz que sempre mudamos para melhor, e eu vou com ela.
Acho que quem não se renova fica preso, deixa de viver, passa a ser aquilo que sempre foi, com o tempo deixa de sentir até o vento batendo no rosto e bagunçando o cabelo.
Tem tanta gente que me acha maluca porque eu mudo tanto. Não me importo.
Eu estaria louca se ficasse para sempre do mesmo jeito. Sem alteração...
Já reparou que até uma folha de papel em branco, se deixada exposta, se altera?
Nem que seja pela poeira, mas ela vai escurecendo pouco a pouco.
A gente é assim também. Se a gente estagna e fica lá, esperando a vida, ela vai passando, deixando a gente amarelado para trás.
E até parece que eu vou deixar a minha vida passar e ficar para trás! Não mesmo!
Cada segundo que passou eternizou algo, deixou para trás, o que eu sou agora, não serei jamais.
Não tem como, não dá para viver duas vezes a mesma coisa.
Até os filósofos falaram sobre isso já.
A não ser que você viva no vácuo, se parar por cinco segundos e reparar verá a mudança acontecendo em alguma coisa a seu redor. E mesmo que não veja, ela acontece. Dentro de você milhares de células morreram e novas surgiram, seu coração bombeou sangue para o corpo, você está vivo!
Tenha orgulho então, aproveite essa oportunidade de ser o que quiser ser, porque só você tem potencial para cuidar da sua vida.
Só você pode mudar aquilo que te faz mal ou te deixa triste, só você pode tentar retardar um pouquinho o tempo para continuar sentindo a felicidade de estar no abraço apertado de quem se ama.
Só você pode escolher quando é hora de mudar, de deixar para trás algo bom e correr atrás de algo maravilhoso.
Vida de eucalipto não presta, no fim eles sempre viram papel...
É clichê demais, mas se hoje fosse o último dia das nossas vidas, eu teria vivido como se fosse o primeiro, um dia de descobertas, de olhar o novo que se apresenta diante de mim.


'Nascemos todos os dias quando nasce o Sol. Começa hoje mesmo a vida que te resta'.

(Ligya Fagundes Telles)

(Música: Meu Amor se Mudou para a Lua - Kid Abelha)
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