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sábado, 22 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 22



Dia 22) Cite um ou dois livros com títulos que você acha interessante

Confesso que compro livro pela capa e pelo título. Foi o caso de Crepúsculo, assim que sai vi aquela capa e li na contracapa uma descrição vampiresca tão legal que me interessei, comprei pela expectativa, meses depois virou modinha. Dos livros que tenho que mais me chamaram a atenção pelo título destaca-se 'O Avesso das Coisas' de Carlos Drummond de Andrade. É um livro de aforismos que diz mais ou menos isso mesmo, o avesso do que se pensa. Adorei o título porque o avesso sendo o lado de dentro me comove. Ainda tenho dois do Gabriel Garcia Marquez que também foram escolhidos pelos nomes: 'Do Amor e Outros Demônios' e 'Memórias de Minhas Putas Tristes'. Valorizo muito quem sabe dar um título criativo porque eu sou realmente péssima nesse critério, sofro para dar nome à cria.
O melhor é que nunca me enganei em relação a um livro escolhido pelo nome, quase sempre são tão atraentes quanto o título!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 19



19) Qual livro você leu, gostou e recomenda para todo mundo?

Eu sempre recomendo os livros que gosto e acabo dando a sorte de geralmente gostar do que estou lendo... Mas existe aquele livro que é chavão, que você fala dele para os pais, os amigos, os conhecidos, os contatos do facebook, todo o Planeta precisa conhecer.
Meu livro recomendadíssimo é 'O Pequeno Príncipe'. Já falei dele aqui mas acho que não expressei bem a paixão que eu tenho pela história. Quando eu era criança tinha uma prima mais velha que carregava o Pequeno feito fosse uma boneca e contava as aventuras dele de cor. Cresci, aprendi a ler e foi o segundo livro que ganhei na minha vida, perdeu apenas para 'Meu Pé de Laranja Lima'. Foi o livro da minha infância, porque eu compreendia muito bem tudo que estava escrito ali, ou pensava compreender. Durante a adolescência tive uma fase Paulo Coelho então ele acabou ficando esquecido até que em uma aula na faculdade a professora me perguntou qual era meu livro favorito e me lembrei do meu menino. Reli prestando atenção à cada metáfora, me deliciando com a história de amizade mais forte que já ouvi falar. Chorei porque me deixei cativar e procurei no céu uma estrela para ser o asteroide que ele moraria para sempre em mim. O livro me fez ser menina novamente.
Gosto e gosto mesmo, tanto que as duas melhores amigas ganharam exemplares dele de presente, e se meus recursos monetários fossem suficientes, cada bom amigo meu teria um.
Se você nunca leu 'O Pequeno Príncipe' por achar que fosse coisa de criança, não tente novamente, você não conseguirá mesmo, algumas pessoas acham que já nasceram grande, são como o acendedor de lampiões, julgam não terem tempo para essas coisas.
Mas se eu pudesse instituir uma lei só no mundo seria para que cada um ao menos uma vez na vida lesse a história do garoto que viajava pegando carona em meteoritos e um dia veio parar na Terra. Quem sabe assim os homens não aprenderiam mais sobre cautela e reciprocidade? Os homens não têm tempo para mais nada, compram tudo pronto, mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.
Ainda bem que eu tenho, ainda bem que o Pequeno me ensinou o significado de cativar.
Recomendadíssimo!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 18





18) Você costuma ler livros que não são para sua idade?

Não tenho nenhum tipo de preconceito literário, ainda bem! Como professora tenho que ler de tudo, inclusive literatura infanto-juvenil, como posso cobrar dos meus alunos algo que não faço? Procuro sempre variar minha leitura entre um clássico, um chick lit e um livro infanto-juvenil. Sou apaixonada por Harry Potter desde que tinha treze anos e li o primeiro livro, isso quer dizer que sempre que posso releio os livros dele, ou seja, literatura intanto-juvenil.
Acredito que todo bom leitor deveria tentar variar os livros da sua cabeceira, ser eclético é bom e faz com que se tenha assunto com todos! Além do mais, assim você poderá indicar um bom livro para qualquer faixa etária!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 17



Dia 17) Cite um livro que você achou que ia gostar e acabou não gostando:

Existem poucos livros que não gostei, sempre procuro algo de bom nas histórias. Um dos raros que até hoje posso dizer que não gostei foi 'O Guardião de Memórias'. Quando peguei o livro emprestado já desejava lê-lo há algum tempo, desde que vi a capa em uma feira da faculdade mas estava sem dinheiro na hora e não pude comprá-lo. O enredo me parecia interessante pela sinopse apresentada na contra-capa, não era só mais um romance água com açúcar.
Não costumo pegar livros com expectativa, o que me move é a curiosidade, e cheia de vontade comecei a leitura. Antes não tivesse feito.
O livro me entediou já no primeiro capítulo, ainda que a história fosse realmente bonita, a autora é altamente descritiva, um parágrafo para cada floco de neve que caia no inverno de 1964, ano em que o livro começa a narração. Gosto sim de detalhes, acredito que enriquecem a história e fazem com que nossa imaginação construa bem melhor os cenários, mas uma coisa é detalhar, outra é focar a história em cima disso. Fiquei com a sensação de que não se sabia bem o que narrar e acabou-se optando por descrever cada mínimo detalhe de todo canto.
Terminei de ler pulando partes, o que realmente não gosto de fazer, eu lia um parágrafo, saltava cinco e a história era a mesma ainda... Em algum momento a história tornou-se coadjuvante dos cenários, das situações tão subjetivamente explicadas... 
Achei uma completa perda de tempo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 16



16) Cite um livro que você achou que não ia gostar e acabou adorando:

Quando me emprestaram pela primeira vez 'A Menina que Roubava Livros' eu me interessei e comecei a ler instantaneamente. Não era o momento. Achei a história travada e pensei: não vou conseguir ler. Acabei deixando ele esquecido por muitos meses.
Durante esse tempo o livro começou a fazer muito sucesso e virou 'modinha', o meu interesse caiu ainda mais, fico com preguiça de ler um livro só porque todas as outras pessoas estão lendo também, resolvi deixá-lo mais escondido ainda na estante, para que talvez, um dia, quando estivesse animada, lesse.
Depois de quase um ano li rumores de que lançariam um filme e como estava ocupadíssima na faculdade lendo literatura aplicada e teórica, resolvi procurar pela 'Menina' buscando distração.
Foi difícil passar pelos primeiros capítulos, eu ainda estava determinada a não gostar da história, mas pelo menos leria e poderia conversar sobre ela com meus alunos.
O encanto foi tanto que quando passei do meio não conseguia mais largar o livro, cheguei ao final e chorei como se tivesse vendo a cena na minha frente, chorei depois que larguei o livro por saber que tudo aquilo foi real mesmo, talvez não a história daquela menina de mãos leves que roubava livros, mas a guerra, as mortes, a crueldade humana.
Depois de todas aquelas páginas fiquei feliz por ter insistido. Do contrário não teria lido um dos meus livros favoritos!
Realmente, os seres humanos me assombram.

sábado, 15 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 15



15) Qual o seu vilão literário favorito? Por quê?

A primeira escolha foi Lady Macbeth. Shakespeare sabia criar vilões como ninguém! Só que Lady Macbeth era apenas invejosa e ambiciosa, era tipo um mesquinho que passava por cima de tudo para conseguir o que queria, valeria o trono, não fosse...
Bellatrix Lestrange!
Bellatrix era puro-sangue e sempre foi apaixonada por Voldemort, as aparições dela nos livros da saga Harry Potter sempre me davam arrepios. Ela foi uma das servas mais fiéis de Voldemort, uma das únicas a procurar seu corpo após seu desaparecimento. Foi parar em Azkaban por matar os pais do Neville e só saiu de lá com o retorno ao poder do Lord das Trevas. Bella torturou de todos os modos possíveis Hermione e ainda matou Dobby. Mas existe um motivo para que eu a considere uma das melhores criações de J.K. Rowling: Bella sempre desconfiou do Snape, ninguém dava muito crédito a ela porque o próprio Lord aceitava a presença de Severo, no fim, ela estava certa o tempo todo.
Ela tem um papel ultra fundamental e adoro o fato dela quase sempre conseguir o que quer, acaba morrendo na batalha de Hogwarts.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Por que você se fez tão linda?


Paris, 05 de fevereiro de   2001.
Lívia,
Eu sei que a primavera enche seus dias de luz e flores, aqui no velho continente o outono é como nas imagens que víamos na tevê, milhares de folhas tomam o chão e o vento torna quase insuportável sair às ruas sem um bom agasalho.
Sempre soube que Paris era linda, quase como sabe-se que o Brasil é quente e o Rio de Janeiro é a cidade maravilhosa. Existe em cada esquina um ar tão romântico... Sinto sua falta.
Queria seguir o protocolo e te enviar uma primeira carta narrando cada milímetro da minha escolha, essa que desejo veementemente que culmine em uma carreira de sucesso e a mulher que amo do meu lado.
Amor, não entendo seus motivos, não entendo porque de um dia para o outro os sonhos tornaram-se pesadelos e não entendo porque você abdicou de tudo assim, tão fácil.
Sabe, eu não entendo como você desistiu de viver nossa história de amor, não por ser Paris ou pelo curso de dança ou por qualquer motivo. Não entendo como você abriu mão tão fácil do que era pra sempre em mim.
Durante algum tempo tive medo de que a verdade nua e crua fosse que era em mim, só isso. O sonho, o amor, tudo. Mas Paris me mostra você em detalhes, durmo, acordo, estudo, trabalho e o seu cheiro impregnado nas minhas mãos não sai ainda que eu as lave compulsivamente. Em cada milésimo eu penso em você. Em cada café sinto o seu gosto. Em cada livraria sinto sua falta. Em cada 'cada' eu penso que não poderia ser tão forte se fosse apenas em mim.
E a lembrança do seu rosto, do seu sorriso e do seu sotaque forçando um francês fofo me arremessam ao chão cheio de folhas mesmo, praticamente nu em meio ao vendaval. Nossas canções foram expulsas do som, mas elas não me deixam descansar a mente sem trazer você de volta.
Queria que tudo fosse mais simples e se resumisse em 'eu te amo' e 'você me ama'. Talvez o amor não exista ou resista. Mas algo me mata e quero muito morrer nos seus braços. O que é isso então? Me canso de analisar tudo e não consigo mais não sofrer os minutos pingando e me lembrando que em outro continente está o brilho de olhos que mais procuro. Paris é a cidade luz e eu procuro uma sombra que não está passeando por aqui.
É uma carta estranha, eu sei. E estranho mesmo é o fato de que eu não consigo te esquecer, ainda que pense que você desistiu de tudo e de mim, ainda que olhe ao redor e veja o meu futuro me esperando.
Eu assistia você dormindo e acreditava que ali naquele universo de sonho você era ainda mais encantadora, quase sempre sorrindo. E agora eu peço ao vento pra voar longe e trazer você pra mim, porque quando eu durmo não é suficiente a sua presença.
Por dias eu quero largar tudo e ir atrás de você, e Paris me olha de soslaio e eu entendo que escolhas não podem ser largadas assim.
Estou aqui e você não, mas sabe amor, não te deixo assim tão fácil.
A França, o Brasil, o mundo, tudo é bem pequeno se a gente olha de longe. E mesmo que você leia tudo isso, me ache louco e rasgue, eu vou voltar.
Eu vou voltar para você, porque você é a parte que me cabe desse Universo pequeno. Paris pode até não contar nossa história de amor, isso não a tornará menor, amores são amores, onde quer que estejam.
Sou seu.

Miguel.

(O Miguel e a Lívia são personagens do romance escrito por mim,  'Meus Pijamas em Paris?!', publicado pela Editora Biblioteca 24 Horas. As vendas por enquanto estão disponíveis apenas pela internet, aqui. Essa carta não é parte da obra, é apenas um conto que escrevi para a Edição Musical do Projeto Bloínquês. Mais detalhes do livro serão expostos em breve!)




Das leituras que faço - Dia 13



Dia 12) Se pudesse trocar de lugar com um personagem, qual seria?

Os primeiros pensamentos me mostraram Hermione... Depois voaram para Doroth do Mágico de Oz ou a Rosa do Pequeno Príncipe... E me veio um fragmento do livro Dom Casmurro:
"Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira (...) do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada."
Capitu.
A personagem mais marcante de Machado de Assis, a que faz a dúvida de uma traição reinar até os dias de hoje sem resposta exata.
Li Dom Casmurro pela primeira vez com 13 anos e foi em vão, achei o livro enfadonho, não consegui compreender a história direito, mas desde aquela primeira leitura amei Capitu. Eu suspirava com as descrições dela, com o jeito que ela dominava Bentinho com o olhar. Capitolina foi certamente um dos exemplos femininos mais fortes que moldaram minha personalidade.
Na faculdade fiz um estudo sobre ela, comparando-na com Desdemona do Shakespeare. Quanto mais estudava sua história, mais me encantava pelas metáforas da obra. Quando a série global começou fiquei com medo de me frustrar e na verdade me encantei com as interpretações.
Por que ser Capitu? Eu queria viver a história de amor dela, bem além disso, eu queria viver a história de desamor dela, queria ver Bentinho morrer de ciúmes e covarde que só ele, não ter a coragem de me olhar nos olhos. Queria ser Capitu pela natureza misteriosa que eu nunca soube ter, e principalmente para tentar provar o meu ponto de vista em relação à história, o de que a traição nunca existiu.
Ela teve um fim triste e solitário, queria poder mudar isso (embora a obra se alteraria totalmente se houvesse outro final) ou apenas para deixar o olhar pousar no mar e ser parte daquilo, da ressaca de um oceano de vida silenciada.

'Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética par dizer o que foram aqueles olhos de Capitu'

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Das leituras que faço - Dia 12



Dia 12) Se pudesse conhecer um lugar/mundo que só existe nos livros, qual seria?

A minha primeira resposta foi Hogwarts! Todo Pottermaníaco que se preze já sonhou andar no castelo, até mesmo visitar as masmorras, conhecer a floresta (embora eu tenha absoluto pavor de aranhas!), falar com quadros quase vivos, ficar tonto com o movimento das escadas e se encantar com o teto do salão principal. Mas tanta gente já falou de lá que acabei optando por outro.
Alguém já ouviu falar no Asteroide B-612?
Já falei aqui da minha paixão pelo Pequeno Príncipe, eu adoraria conhecer o seu lar, puxar a cadeira um pouco mais para trás e assistir um pôr-do-Sol atrás do outro, ajudá-lo a combater a praga dos baobás, experimentar um café feito em um bule aquecido no vulcão, e lógico, conhecer a Rosa. A Rosa dele, vermelha e dona da razão. Quem sabe eu me sentiria mais em casa lá?
Existem outros mundos fantásticos que me encantam e mereciam uma visitinha, com o maior prazer do mundo, a Terra do Nunca (se a Sininho me permitisse apertar as bochechas dela seria melhor ainda), Nárnia (já tentei entrar pelo guarda-roupa, em vão), O Mundo de Oz (vai ver o Mágico resolveria o conflito eterno entre coração-cérebro, eu que sou uma mulher da lata espantalha), o circo da época dos Irmãos Benzini (do livro Água para Elefantes), a Terra Média do Senhor dos Anéis...
Só que de todos os lugares, somente Hogwarts e o Asteroide B-612 me trazem a sensação de lar, haveria a possibilidade de ser uma princesa bruxa?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Das leituras que faço - Dia 20



Dia 20) Você gosta de poesia? Qual seu poema ou poeta favorito?

Tive um período da minha vida mais poético, meio da adolescência para ser mais exata. Escrevia poesias compulsivamente e lia, lia e lia livros e mais livros de poesia. Das leituras que fazia me lembro bem de alguns nomes, Vinicius de Moraes, sempre Vinicius, com seus sonetos deliciosos e tão belos, Cecília Meireles, Mario Quintana. Era apaixonada por Quintana, na quinta série a professora de português leu para mim o 'Poeminha do Contra' e nunca mais me esqueci:
'E todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!'
O versinho mora comigo até hoje, mas ainda existe outro do Quintana que gosto mais, provavelmente pela profundidade do que me diz, sempre que leio lembro de como é preciso ser forte com nossas decisões, o poema chama-se 'Das Utopias':
'Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!'
Quintana é lindo! Mas não é o único que gosto, leio muito Martha Medeiros, adoro o jeito como ela mostra a mulher, adoro a escrita produtiva dela, que limpa o pensamento e esclarece. Adélia Prado me comove. Leio poesia para descansar e sempre funciona.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Veríssimo (Dia 02 - Um Livro)



É desleal comigo pedir para escolher um livro preferido. Eu não me imagino sem eles, não consigo escolher um, tem que ser no mínimo uns dez...
Entre os que eu mais gosto estão 'A Menina que Roubava Livros', 'A Cidade do Sol', 'Helena', 'Melancia', 'Dom Casmurro', 'Sushi' e vários outros...
Como não conseguiria escolher resolvi falar um pouco sobre o livro da vez, o que está na minha cabeceira e que me faz rir demais: 'O Melhor das Comédias da Vida Privada'.
Nunca tinha lido nenhum livro do Veríssimo, já havia lido contos e crônicas picadas na internet ou em jornais, não sabia o quanto é delicioso virar a página e começar outro e mais outro conto.
Ele é genialmente engraçado!
Passei algum tempo lendo teoria linguística e deverei estar lendo ainda, escolhi o Veríssimo pra aliviar a minha alma já cansada de tanto material teórico.
Então aí vai um 'conto rápido'...


Nervinho

Aquela conversa de travessseiro, "Quem é meu quindizinho?". "Sou eu. Quem é a minha roim-roim-roim?" "Sou eu", e ele inventou de dizer que jamais se separariam e que ele seria, para ela, como aquele nervinho da carne que fica preso entre os dentes, e ela disse: "Credo, Oswaldo, que mau gosto!", e saiu da cama e depois nunca mais. Acabou por metáfora errada.


Eu gostei demais e ri muito, ainda por mais por entender de metáforas e entender melhor ainda de metáforas erradas.

sábado, 10 de abril de 2010

Ao Bruxo do Cosme Velho


'Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética do que foram aqueles olhos de Capitu.'

'Querido e muito estimado Machado de Assis,
Provavelmente o senhor jamais lerá esse email, lógico, talvez não lesse nem se eu lhe escrevesse uma carta, se tivesse nascido há tempo de fazer isso, faço uma imagem meio taciturna e emburrada do senhor, perdão, é o que nos passam quase todos os livros de literatura que estudamos na Escola até hoje.
Ainda assim sou sua fã! Sinceramente já li quase todas as suas obras e fiquei muitos anos suspirando pela morte da Helena, sabia que hoje em dia existe um autor de novela muito famoso que se inspira naquela personagem para fazer suas mocinhas?! Acho que o senhor não ficaria assim tão satisfeito com o que as 'Helenas' de hoje são, mas de certa forma, é uma homenagem...
Pensei muitos anos achando que minha filha se chamaria Helena, até que por obra do destino fui ler Dom Casmurro.
Ah Sr. Machado, com o perdão da intimidade, o senhor não faz ideia do que nos causa até hoje esse livro!
Lógico que a história você conhece de trás para frente, afinal, saiu das suas mãos... Mas será que o senhor consegue enxergar as lágrimas que a Capitu chora em silêncio quando o Bentinho começa a desconfiar dela?
Será que o senhor sabe que ela morre aos poucos ao ver que aquele garoto com quem sonhou a infância toda, o garoto com quem ela aprontava, virou um homem emburrado e com mania de perseguição?
Poxa Sr. Machado, a Capitu não merece tanto sofrimento!
Certamente que o senhor já leu Otelo e a coitada da Capitu consegue sofrer ainda mais que a Desdêmona, aliás, seria ela uma espécie de Desdêmona e por isso o senhor colocou uma citação da peça na obra?
Aposto como faz tempo que o senhor não a lê, gostaria mesmo de pedir que o fizesse.
De coração sabe, de uma leitora muita apaixonada, é castigo demais as pessoas não entenderem o mistério que cerca a personagem mais encantadora das tuas obras!
E ficam vários teóricos fazendo análises sobre isso, sabia? Uns dizem que ela traiu, outros que não. Alguns até apontam a vida pessoal do senhor para explicar tal obra, dizem que o senhor mesmo teve casos extra-conjugais!
Não me atrevo a dizer nada, espero uma releitura sua e uma explicação se possível, não sobre ela ter traído ou não, mas uma explicação pra tanta magia, tanta desenvoltura, tanta sensualidade em uma mulher que faz parte do imaginário de todos nós leitores.
Queria mesmo saber fazer personagens como o senhor!
Sei que muitos dariam uma vida para ser Bentinho, ainda que ele tenha uma personalidade tão ínfima perto da dela. Mas como eu gostaria de ser alvo uma vez daqueles olhos, como gostaria de apreciar os movimentos faceiros e de vê-la rabiscar nomes com um prego no muro velho.
Ah meu querido Machado, jamais fui tão feliz quanto fui lendo, relendo e me vendo dentro daquele olhar.
Toda mulher tem um pouco de Capitu, quase todo homem também.
Releia e eu afirmo, o senhor vai se ver naquela menina mulher destemida, atrevida e apaixonada, vai ver que o amor é mais sem razão do que até mesmo já foi dito.
Deixe-se arrastar pelo olhar de mar em ressaca, deixe-se embeber por tão preciosa pessoa, envolva-se do mistério que corta a alma de uma mulher e saiba, estará lendo o melhor livro já escrito.
Com grande carinho,
Taynná Monteiro Gripp.

P.S.: Aconselho seriamente não procurar indícios de traição, procurar apenas sentir Capitu entrar em todas as células do seu corpo, somente assim será capaz de ver com tanta intensidade quem ela realmente foi.'

(Tema proposto por Blogueando)
(Falar de um livro apenas para mim foi muito complicado, escrevi pelo menos três versões desse email com livros e destinatários diferentes. Entretanto foi preciso falar da Capitu, a Capitu que eu amo tanto e que gostaria que as pessoas enxergassem de um modo menos cruel. Para quem não sabe, 'bruxo do Cosme Velho' era um apelido que Machado de Assis tinha)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A Menina que Roubava Livros e que plantava palavras

Acabei 'A Menina que Roubava Livros' e achei a história realmente tudo que todos os jornais e amigos me diziam.
Se fosse resumi-la diria que é uma história sobre um beijo que foi dado, ainda que tarde demais, e sobre palavras que sempre têm o potencial de mudar vidas, para o bem ou para o mal.
Fiquei então pensando nisso, nas palavras, em como um sim pode mudar uma vida, como um livro pode transformar tudo, pode salvar alguém.
Lisel foi salva por seu livro, acho que mais até do que isso, Liesel foi salva porque a morte para ela era só uma personagem coadjuvante, ela tinha convivido tanto com ela que não aceitaria que ela tomasse frente da sua história, da sua narrativa.
O livro me fez chorar muito, principalmente porque ontem foi um dia difícil, ver as palavras da narradora morte 'os seres humanos me assombram' me fizeram sentir isso.
Os seres humanos realmente me assombram, eu tenho medo deles, medo dessa compulsividade, disso de querer sempre mais e mais e mais.
Só que eu sou parte disso, eu sou uma humana, eu sou um amontoado de palavras que podem ser ditas e que quando são, alteram vidas.
Positiva ou negativamente, eu faço a diferença.
Liesel me ensinou muita coisa, me ensinou que mesmo que você não seja sempre uma menina boa, mesmo que cometa seus crimes e que às vezes deseje ardentemente pagar por eles, você sempre tem escolha, você sempre pode ser uma 'sacodidora de palavras', sempre pode fazer o possível para dizer coisas boas, ainda que saia um 'porco imundo' no meio delas.
Nós somos aquilo que fazemos os outros acreditarem, somos as palavras que falamos, os beijos que negamos e as noites que passamos contando, nem que seja mentalmente, a nossa história.
Eu sou tudo aquilo que eu calei e principalmente tudo aquilo que eu disse, e eu quero ser em 2010 um monte de palavras boas, de beijos dados, antes que venham nuvens com caixas toráxicas e levem tudo isso embora.


PS: Ok Lipe, você tinha razão, eu ia mesmo adorar o livro, tanto que o tornaria um livro de cabeceira, tanto que diria para todos que a história de uma garota magrela, de um menino de cabelos cor de limão e de um judeu com cabelos feito galhos foi a melhor história que eu li esse ano, talvez por todos os anos anteriores também. Obrigada!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ao Bom e Velho Noel


'E quem for criança vai olhar pro céu

Fazendo um pedido pro velho Noel...'


Natal novamente...
Eu até pensei que esse ano talvez não fosse preciso fazer pedidos, mas pelo que vejo, faz tempo que nossa telepatia não anda em dia... Foi confiando nela que o ano foi o que foi...
Devo algumas explicações, eu sei. Esse ano eu realmente fui diferente do que o senhor esperava, mas fazer o quê, no fim foi diferente até do que eu mesma esperava!
Culpa de quem? Ah, vai saber...
Mas o senhor me aprontou poucas e boas esse ano, como ia querer que eu fosse uma boa menina o tempo todo?
Eu pisei na bola, magoei pessoas especiais, mas eu mereço crédito, afinal de contas, eu também fui muito magoada!
Portanto, o ano não foi o que eu esperava, eu sei que o senhor sabe bem disso.
O que o senhor não faz ideia (sem acento Noel, graças ao Novo Acordo Ortográfico, caso o senhor ainda não saiba...), é que eu resolvi escrever para agradecer.
Quem diria não é mesmo?
Eu pedi tanta coisa que achava que me faria melhor e o senhor me veio com esse mundo de novidades, o senhor fez tudo novo, de um jeito que eu jamais imaginaria, o senhor tirou meus pés do chão e eu fiquei meio maluca, sabe Noel.
Mas acho que essa insanidade me fez ficar um pouco melhor, (calma Noel, não é melhor que os outros, não estou sendo egocêntrica, é melhor comigo mesma!). Sabe Noel, eu fiquei melhor por dentro, eu tentei desfazer tudo de 'não bom e legal' que eu comecei a fazer, eu me esforcei para ser uma boa menina.
E sei que não foi em vão, porque não há como fazer pedidos, simplesmente porque o que eu mais queria já consegui.
Talvez eu estivesse enganada e a nossa telepatia estivesse cem por cento.
Porque eu quis tanto abraços sinceros, sorrisos cúmplices, amigos leais.
Eu queria ter com quem compartilhar sonhos, e ganhei essas pessoas sabe, que alguém denominou amigos verdadeiros, daqueles que a gente sabe que pode contar em qualquer hora.
Que mais eu posso pedir?
Eu tenho um amor que me faz sorrir, eu tenho amigos verdadeiros e leais que me fazem querer sempre ser melhor, eu tenho uma família que é uma família como todas as outras (às vezes irritante, mas necessária), eu tenho até um blog que já tem mais de quarenta seguidores!
Então, meu bom e velho Noel, para o ano que vem eu não tenho assim muitos pedidos...
Alguma coisa a respeito do aquecimento global, alguns livros (se for possível), mil beijos dele (tudo isso só no Natal tá?) e eu quero muito, muito mesmo, que todas as pessoas que me fizeram tão feliz esse ano sintam toda a alegria e paz que for possível.
Eu quero estar com elas para sempre dentro de mim, porque tê-las aqui me traz essa sensação tão boa de felicidade.
É Noel, viu, eu me tornei mesmo uma menina melhor.
Um feliz Natal para o senhor...


PS: Tá, eu disse que não queria nada... Mas, se tiver como, me traz o novo livro da Marian Keyes e a segunda temporada completa de Grey's Anatomy??

Beijo!!
''...Se a gente é capaz de espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia...''

(Música: Natal Todo Dia - Roupa Nova)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Frases Soltas #02


"Dentro dela era como se não houvesse a morte,

como se o amor pudesse fundi-la,

como se a eternidade fosse a renovação''.

domingo, 15 de novembro de 2009

Frases Soltas


'É porque estou muito nova ainda,
e sempre que me tocam
ou não me tocam,
sinto.'

(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem)
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