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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Da incoerência que me cala


Dom Cícero*, Paraná ,25 de fevereiro de 2001.

Miguel,
Dez milhões de coisas passaram pela minha mente antes que eu começasse a tremer as mãos para te escrever. Tantas vezes eu comecei e desisti que nada garante que você abrirá o envelope e estarão lá dentro palavras minhas. É complicado quando não se sabe bem o que dizer.
Poderia mentir dizendo que sei bem o que fiz da minha vida e tenho convicção das minhas decisões, mas de que adiantaria? Soaria tão falso que nem a caneta se convenceria. Não sei de nada. Sinto tanto por isso.
Você partiu e então não consigo passar um dia sequer sem chorar, as fases chegam e me assombram, eu penso que te odeio por ter ido e me deixado aqui, pedaço de sonho quebrado no meio. Penso que te amo tanto e que por isso a dor que vem me sufoca e me lança ao chão. Nem as folhas que aí enfeitam a paisagem estão por aqui para que eu me jogue e peça ao vento para me cobrir delas. Ainda penso que tudo tem uma explicação e que as coisas são quanto têm de ser, mas me canso de filosofias bonitas e nada práticas.
O pior de tudo é saber que eu desatei o laço, eu te mandei embora, eu disse não para uma vida que planejamos juntos, calculamos e mais que isso, sonhamos.
Amor, sinto tanto. Nada foi de mentira, agora pode parecer absurdo te contar tudo isso e talvez o destino dessa carta também seja o lixo, mas eu jamais tive vontade de soltar sua mão. Sinto uma falta sem tamanho dela me apertando os dedos agora e há um buraco crescendo entre elas, vem me completar.
Tenho pesadelos que Paris te apresentará francesas lindas e dispostas a tornarem reais os planos que eu fiz para você. Os cafés que nós visitaríamos, as fotos enquanto a cidade anoitece e os beijos que não serão dados por mim.
Você leria para mim pela manhã enquanto o Sol começaria a clarear o quarto, o vento fazendo tamborilar a cortina branca da janela que apontaria para um muro, o nosso apartamento de estudantes decorado com ar retrô, discos de vinil servindo de prateleiras e porta-copos.
Vê? Sonhei sim, e sonho ainda. Sonho tanto, não há noite que não passe em claro e dia que não sonhe com você sorrindo e cantarolando meu nome com sotaque francês.
Queria te dizer que foi por falta de amor que larguei tudo, resolveria parte dos meus problemas e conflitos internos.
Há dentro de mim um espaço destinado às promessas que me fiz e que ainda não cumpri. Nunca é tarde ou madrugada para retirar tudo dessa caixa e jogar na minha cara que toda dor que vier é por infantilidade e medo bobo de ser feliz para sempre, você saberia me trazer isso.
Não foi falta de fé na possibilidade certeira do nosso sucesso juntos. Minhas promessas são medrosas, covardes, pode chamá-las para a briga se quiser. Mas por favor, não desista de tentar fazer cada uma delas tornarem-se eternas nas lembranças do que a gente viveu.
Prometi que Paris seria nosso lar e que nosso amor causaria inveja nas gárgulas de Notre-Dame, por favor, não deixe isso morrer.
Seria injusto da minha parte pedir para você confiar em tudo isso. Mas como não torcer fervorosamente para nosso amor vencer todos os devaneios tolos que me atormentam e não me deixam largar tudo aqui e ir atrás de você? Quero amar você sem precedentes, mesmo. Quero um filho seu, um sorriso seu de bom dia por todas as manhãs. Quero que você leia trechos dos meus romances favoritos e me diga que não existe história que valha um livro mais que a nossa. Quero que a nossa história continue sendo nossa, mas não posso prometer mais nada.
Não me encontro com credibilidade para pedir sequer que você leia tudo isso. Não sei de mim, não compreendo o medo de realizar o sonho de estar com você, ser dançarina de uma Escola séria e viver em Paris. Mas nem tudo é passível de compreensão nesse mundo, essa é a verdade que me salva da insanidade.
Por hora mon amour, peço até com vergonha porque sei que não tenho mais esse direito, me ajuda a ter coragem para realizar as promessas que ainda nos sobraram. Me ajuda a prometer tudo de novo e a realizar. Me promete Miguel que você nunca vai desistir de me fazer melhor, por favor...
No meu aniversário eu só queria a certeza de que existe em Paris um pedaço de mim esperando minha mão para acariciar os cabelos que aposto estão crescendo já.
Eu só queria que você acreditasse que prometido ou não, você será sempre o meu amor. Cumpra o que se cumprir.
Mon Amour.

Da sua pequena,
Lívia.

Texto escrito para a edição musical do Projeto Bloínquês.
Carta resposta desse texto aqui. Lívia e Miguel são os personagens centrais do romance 'Meus Pijamas em Paris?!' lançado por mim pela editora Biblioteca 24 Horas. Dom Cícero é uma cidade fictícia do estado do Paraná, criada para ser o cenário do romance.

sábado, 2 de abril de 2011

Pra você não escapar


 "Por ser lugar comum
Deixamos de extravasar
De demonstrar"

O apartamento estava escuro e a tempestade começava a tomar formas concretas, o vento invadia tudo da mesma forma que a presença dele, tempestuosa.
Quando a campanhia tocara em nenhum momento ela imaginou ser ele, por nenhum segundo sequer ela desejou que ele estivesse ali, não naquelas circunstâncias, não quando tudo dizia que era loucura e que era preciso foco, todo foco do mundo.
Mas os olhos de cílios longos pediram para entrar e ela ia dizer o quê? O não ficou preso na garganta junto com as milhares de outras palavras que já deveriam ter saído de lá fazia tempo mesmo. Em algum lugar longe habitava a sanidade, não mais nela.
Quando ele se jogou no sofá da sala e perguntou por todos, e insistiu para que saíssem e se desculpou pela visita inesperada ela se concentrou no mundo que ia desabar lá fora, mas até o vento vinha como ele.
Deixou estar por um segundo, mas não havia concentração que se firmasse em meio a tanta coisa que ele dizia. Onde mesmo ela tinha aprendido que tudo tem um motivo, uma razão?
Foi até o quarto e encostou a porta da varanda, a chuva chegaria e do jeito que prometia iria inundar tudo tão rápido.
No devaneio de seguir o rastro dela ele se viu lá também, os olhos negros lotados de censura e ele destituído de todo o medo, aquela loucura gostosa que tanto querer causam na gente. Os dedos doloridos de vontade de ter nas mãos o rosto, os lábios provedores do sorriso, o cabelo. A vida.
Rompeu com o limite imposto, nunca entendera o porquê dele.
E quando ele a puxou pelo braço e ela sentiu a pele ferver, quando ele se fez presente e ela sentiu o perfume que vinha da blusa de um tom forte e bonito, quando ele se aproximou o máximo que podia ela não conseguiu negar mais nada, nem o beijo, nem o medo, nem o mundo.
Não quis negar. Quis só que viesse e fosse como fosse, profundo e digno, se era pra ser que ficasse.
E se beijaram, os lábios dele tinham um toque tão macio e terno, um toque de delicadeza faminta. Os olhos fechados dela não viram o quanto foi mágico para ele, mas lá dentro ela sentia tudo tão forte que não pensava, não pensava.
Quando se desprenderam e notaram que a chuva havia chegado, tudo estava ainda mais escuro e tão claro.
- Eu tentei te esquecer. - ela juntou forças para quase soletrar, mais para se convencer.
- Eu não. Eu sabia que era impossível!
Foi o que ele disse sem medo, sem esperança. Só fé mesmo.
O que tem que ser tem muita força.


(Ao som de: Quando eu te Encontrar - Biquini Cavadão)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Who knew



"I wish I could touch you again
Eu queria poder te tocar de novo
I wish I could still call you friend
Eu queria poder ainda te chamar de amigo
I'd give anything
Eu daria qualquer coisa"



Era uma tristeza repentina de nome barato, feito novela mexicana com protagonista chorão. Uma tristezazinha pejorativa. A rua vazia, a chuva que tinha passado, o esmalte meio descascado e até o laço me diziam que o buraco do peito era fácil de ser preenchido, voltasse eu lá para a festa, para todos os que dançavam e riam e bebiam e se divertiam misturando humores e eu estaria melhor.
Mas não queria.
Me fizera em muro alto pra ninguém ver o que havia por dentro, me trancara em cofre suíço pra que os segredos fossem só meus, inventara códigos e artifícios para me isolar, petrificara o peito e agora, logo agora, eu via que você roubara a chave, você com os olhos travessos e as mãos hábeis. Você sabia tudo de mim, assim, de graça.
Porque então eu não aceitava que qualquer coisa ou o destino ou o nome que quisessem dar tinha nos unido? Tinha dito que seria assim e pronto, fim de novela, de filme, os créditos subindo e eu adiantando na velocidade máxima, eu queria ver o que vinha depois, sempre vinha algo não é?
Então meu corpo te dizia algo e você viu, o laço era vermelho como as joaninhas que você desenhou horrorosamente no guardanapo, a mala indicava que eu partiria ou já partira, o choro, bem, esse tinha uma explicação que eu não queria dar, nem pra você.
Eu iria embora porque eu precisava de novo da solidão gostosa de estar a sós comigo. Porque estar com você tinha um quê de magia e todo esse mundo lindo e utópico que toda garota sonha, e isso me assustava, mesmo tão poucas coisas me assustando.
Eu iria embora porque não dava pra ficar e ser feliz com você, não sem saber que amanhã ou depois ou sempre eu olharia e você estaria lá, sem me pedir pra contar segredos, sem me exigir a mão em dias ruins, sem brigar por eu ser tão parecida com o mar e tão mandona assim. Gêmeos e leão, você entenderia?
Eu sei que não, então, a festa acontecia e eu estava lá, apenas enfeitando a paisagem e pedindo que você não me seguisse, não me quisesse bem, não me ensinasse mais, não me tocasse o cabelo, não me pedisse pra ficar.
Mesmo assim eu te esperava, quem diria. 


Texto para a 59ª edição visual do Bloínquês
(Ao som de: Who Knew - Pink)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Des-leal



'É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte'


Não é necessário, mas eu sinto que é preciso e isso até me faz lembrar como você dizia que eu era incoerente.
É como as cinzas velhas de um incenso que a gente joga ao vento fazendo pedidos que vá longe e alcance mundos diversos.
Jogo hoje as palavras de liberdade que senti ontem ao ver o seu olhar indiferente.
Como eu já odiei sua indiferença, como ela já me fez mal, me fez sofrer e me fez sentir pena de mim.
Ontem ela me fez apenas entender que era o mesmo olhar que eu te dava.
E eu procurei com força, tateando por todo o corpo o local daquela velha cicatriz, não achei. O colágeno de novas amizades e de gente que me faz tão bem sumiu com marcas de um inverno ruim.
E eu senti tanta pena do que foi e não é mais, uma pena triste mesmo por me lembrar de quantas vezes passei por cima de pessoas que amava por acreditar que valeria a pena, por você, mil vezes.
Não mais.
Você matou tudo, ou morreu por tempo e descuido mesmo, vai saber.
Não foram as milhares de queixas e indiretas, nem o perfeccionismo que eu me exigia quando se tratava de você.
Foi seu medo idiota de se assumir como alguém normal, que comete erros e dá a cara a tapa.
Não gosto de gente que mente pra esconder sonhos ainda não realizados.
Uma vez eu disse com tanta certeza que você seria um exemplo a seguir e hoje eu vejo que o que eu quero ser é tão além disso tudo.
Eu quero ser como aquela que sonhou e teve cautela sim, mas que não desistiu e sei que não desistiria se não conseguisse.
Se frustrar não é perder, é ter vergonha do que é de fato.
Não se preocupe, eu não vou mais pedir desculpas, não vou tentar me justificar mil vezes explicando o modo como penso ou executo meus pensamentos. Incoerente ou não ando bem satisfeita com o que sou e o que pretendo ser para ficar dando explicações.
Calma, não vou pedir que me aceite também, descobri que não o tipo de coisa que se pede, aceitação é mútua, ela existe e pronto.
Tudo isso é para dizer pra mim mesma que por mais que eu pense às vezes que tudo é um ciclo, algumas rodas gigantes tornam-se cansativas com o passar do tempo. Eu me cansei de tanto subir e descer atrás de estar entre os seus.
Quero carrinho bate-bate agora, quero segurar o volante e dar de cara com o novo sem medo algum de estar errada ou certa.
Obrigada por tudo que foi. Não é justo dizer que não aprendi, seria hipocrisia.
Mas agora quero lições em outra voz, em um tom mais ameno e mais disposto a me mostrar que é como sou, só mais um tentando aprender a realizar sonhos.
Agora eu quero me lembrar que leal eu sempre fui, embora você muitas vezes tenha duvidado disso, mas não serei mais.
Pense que serei apenas uma pessoa comum, daquele jeito que você muitas vezes já me avaliou mesmo. E pense que você agora responde do mesmo modo em mim, finalmente um pouco de reciprocidade.




(Ao som de: Boa Sorte - Vanessa da Mata e Ben Harper)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Again (Dia 05 - Citação)


"I hope you live a life you're proud of, if you find that you're not... I hope you have the strenght to start over again"
(F. Scott Fitzgerald)

(Eu espero que você tenha uma vida da qual se orgulhe, se você achar que não... Eu espero que você tenha força para começar tudo outra vez)

Essa frase faz parte de um monólogo que me fez chorar muito, no fim do filme 'O Curioso Caso de Benjamin Button'. Mas ela foi adiante, ela esteve comigo e me fez ter força para continuar quando aparentemente estava no caminho errado, eu precisava porque não me orgulhava do outro caminho.
Ela me ensinou que não é egoísmo procurar seguir seu próprio caminho, é sensatez. Ainda que existam perdas, a gente caminha melhor quando sabe para onde está indo.
Eu soube.
Eu vi que não adianta viver uma vida para agradar alguém se você não tiver orgulho de ser quem se é. Não levamos nada desse mundo além de nós mesmos, não existe nada que nos acompanhe mais do que a nossa consciência, nenhum amor ou amigo está tão presente. Como já disse Renato Russo: mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.
Então eu espero mesmo que você tenha uma vida da qual se orgulhe, eu espero ter uma vida da qual me orgulhe, espero que meus atos reflitam nas pessoas mas reflitam também em meu rosto, reflitam no meu coração e reflitam o meu caráter.
Optar por não escolher seu próprio caminho já é escolher.
Aprendi com a frase e com a vida: a gente sempre tem escolha.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tempo, Mano Velho


'Se eu ainda soubesse como mudar o mundo,
Se eu ainda pudesse saber um pouco de tudo,
Eu voltaria atrás do tempo'

Eu poderia até fingir que não me arrependo de nenhuma besteira grandiosa que tenha feito nesses meus vinte anos, e olha que foram muitas! Poderia me entupir de hipocrisia e gritar pro mundo que nunca quis voltar no tempo para retirar aquela frase mal encaixada, para explicar aquele não ou até mesmo para reviver algo bom.
Voltar o tempo é o desejo universal, acho que é mais forte até do que a paz mundial, mais forte do que o sonho de tornar um mundo um lugar melhor.
Entretanto, entenda, sempre há um porém, eu aprendi tanto. Clichê, lógico. Todo mundo diz isso também.
Não sei se teria coragem de voltar, de brincar de 'Efeito Borboleta', já aprendi que toda ação corresponde uma reação e está aí uma coisa que eu realmente temo, as reações.
Se hoje eu sou quem eu sou é porque já errei tudo que errei, a gente aprende é com os erros, só sabe andar porque caiu.
Tenho medo do que teria sido de mim se não tivesse 'dado com os burros na água' tantas vezes.
Não sei se seria tão feliz se já não tivesse derramado todas as lágrimas desesperadas e até já quisesse ter morrido.
Nossa vida é feita de construção e quando uma coisa já está pronta o que se pode fazer é reformar. Eu faço com frequência.
Uma máquina do tempo não resolveria meus problemas, tornaria tudo mais confuso ainda.
Se eu pudesse voltar no tempo, ainda que isso aliviasse as minhas dores e as dores que eu causei, algumas de propósito, outras não, eu não voltaria.
Não porque seja egoísta, mas porque aprendi que o tempo é o senhor da razão, frase barata de figurinha de chiclete. Eu confio no tempo, deixe estar que se doeu ou dói, uma hora passa.
Tudo nessa vida vira cicatriz.

(Post para a Postagem Coletiva da semana)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Meu Lado Ilha


'Tenho quase certeza
Que eu não sou daqui!'


Outro dia acabei esbarrando com um texto do Saramago chamado 'A Ilha Desconhecida', mais pelo nome que pela curiosidade comecei a ler, e que coisa é o destino! O texto me falou tanto que fiquei uma boa hora com o som ligado em uma canção internacional simplesmente olhando pro teto.
O conto fala sobre busca, sobre a busca por algo novo, algo desconhecido, sobre a felicidade que só se alcança quando se encontra. E me trouxe tantas lições preciosas!
Já disse aqui e aqueles que me conhecem sabem que passei por um período louco, que depois se acalmou aos poucos...
Descobri que é assim mesmo e será assim para sempre, a gente só se encontra quando se lança ao mar mesmo, em busca da tal Ilha Desconhecida, eu fui em um veleiro fraquinho, aos pedaços já, não tinha segurança e nenhuma tripulação.
Aos poucos fui descobrindo que não estava sozinha, a jornada era minha e muito pessoal, mas sempre haveria alguém para guiar meu leme. Ainda bem!
A Ilha? Eu encontrei.
E como no texto só entendi que ela estava dentro de mim quando pensei que não fosse mais capaz de alcançá-la.
Sobreviver às buscas pessoais requer muita força de vontade, mas ainda é fácil se comparado ao fato de se lançar.
Assusta ver o mar revoltado, assusta ter que repensar valores, critérios, preferências e princípios, nem sempre é necessário, mas sempre é possível tentar se encontrar. No fim o máximo que pode acontecer é você se perder em auto-mar e acabar tendo que se reinventar.
Corri meus riscos mas cheguei àquele lugar onde se é feliz de um jeito mais ingênuo, porque se sabe que quem está na água é para se molhar mesmo.
Que venha sempre as ondas para balançar meus alicerces e me fazer querer buscar aquelas Ilhas Desconhecidas que só podem ser descobertas por mim.
E que eu sempre tenha com quem dividir meus paraísos particulares, afinal, se não são os amigos, quem mais você levaria para uma Ilha Deserta?

(Ao som de: Meninos e Meninas - Legião Urbana)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Invisível dizível


'O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me pede e eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor.
O que você não pode eu não vou te pedir
O que você não quer eu não quero insistir.
Diga a verdade, doa a quem doer.
Na verdade 'nada' é uma palavra
Esperando tradução.
Toda vez que falta luz
Toda vez que algo nos falta:
O invisível nos salta aos olhos.
Ontem a noite eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia
Era o princípio do precipício
Era o meu corpo que caía.
Ontem a noite a noite tava fria
Tudo queimava, nada acontecia.
Ela apareceu, parecia tão sozinha
E parecia que era minha
Aquela solidão'


Às vezes a coisa mais difícil a se fazer naquele momento nem é pedir perdão. É se perdoar.
Hoje alguém importante me perguntou o que eu ganhei com todo o caos que formei. Não soube responder direito, infelizmente.
Não é que não saiba, é que mudou muita coisa dentro de mim, mesmo tendo ficado muita coisa igual.
Complexo demais, até para mim.
Eu me arrependo, não de ter dito o que disse, mas de ter feito da maneira que fiz.
Existem pessoas e conceitos que nunca devem ser quebrados. Eu escolhi correr o risco de quebrar e doeu bem mais do que eu pude imaginar, hoje eu vi que não doeu só em mim.
Odeio errar. Acho que ninguém gosta, mas no meu caso a coisa fica feia mesmo. Eu odeio que as pessoas se decepcionem comigo, ainda mais pessoas que eu gosto.
Mas é a vida. Todo mundo vai te magoar uma hora, do mesmo modo, um dia você vai magoar todo mundo.
Existem feridas que dão para curar, outras não.
Por mais triste que eu tenha ficado ao ver a indiferença com que ela me tratou, eu não me senti mal. Porque eu sei que todo esse tempo e sofrimento fizeram bem para ela, assim como fez para mim.
Uma amiga disse que não existe crescimento sem dor.
Doeu bastante, espero ter crescido.
Espero enfrentar de frente meus medos, minhas insanidades e inseguranças. Espero não me perder de novo tentando ser alguém para ser amada.
Eu sou legal assim, não preciso e não quero me enganar novamente.
Hoje foi um dia de pedir desculpas novamente, as coisas não deram certo como ontem, mas me fizeram melhores, graças a Deus.
Quero muito não magoar novamente as pessoas, então não posso fazer promessas que não cumprirei. Eu não tenho toda a força do mundo, algumas vezes eu vou fraquejar e vou ter muito medo. Quero muito que esse medo não me faça novamente perder pessoas tão especiais e vou fazer o possível para isso.
Por enquanto me basta saber que não há ódio. Não precisa haver amor, em mim há. Há carinho por tudo que houve, há afeto por lembrar de uma irmã que me fazia mais louca. Estou feliz por ter enfrentado tudo e ter falado com ela, mesmo ouvindo coisas ruins.
Estou feliz porque me perdoei por ter errado tanto, feliz porque quero que as coisas sejam diferentes.
Apanhei para aprender a ter limites, a respeitar os meus limites e a ser eu mesma, quero que essas lições jamais se apaguem. Quero muito mesmo!
Quero que o amadurecimento brote a cada dia.

Obrigada Senhor por ter me permitido aquela conversa, por ter me ensinado tanto durante esse tempo e por ter preservado que de mais bonito aconteceu dentro do meu coração. Obrigada pela chance de explicar e entender o que aconteceu.

(Ao som de: Piano Bar - Engenheiros do Hawaii)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Palavras de um Futuro Bom

'O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício'

Ainda não sei bem o que dizer, mas sei que é preciso falar. É preciso contar como a vida nos surpreende com um gesto a seu favor vindo de alguém que você nunca imaginaria. Como uma conversa é capaz de aliviar a alma de tal forma que você não sabe nem o que dizer, só sabe que precisa compartilhar esse sentimento tão importante.
O nome desse sentimento? Não sei, mas acho que tem a ver com humildade, a ver com amizade.
Tem a ver com gostar das pessoas apesar dos pesares, a ver com dar novas chances, ouvir os pontos de vista, ter coragem de assumir medos e erros.
Eu errei bastante. Errei tentando acertar, mas quem foi que disse que o fim justifica os meios?
Eu me perdi e na minha busca acabei mudando totalmente, nada demais, a não ser pelo fato de ter passado por cima de pessoas que estiveram ao meu lado durante muito tempo. Meu erro foi ter subestimado o sentimento que essas pessoas me traziam. Eu as amava.
Amava tanto que me senti extremamente sozinha sem elas, e sozinha eu consegui me encontrar.
Consegui descobrir que sou mais influenciável do que gostaria, descobri que não é porque você gosta de alguém muito que tem que dizer sim para tudo que ela faz, pensa ou fala. Quando você passa por cima do que é para agradar alguém por medo de não ser aceito você corre o sério risco de perder tudo, todo o seu mundo.
Eu corri.
Corri porque tenho medo das pessoas não gostarem de mim e acabei fazendo tudo para agradar algumas vezes. Quando eu disse o primeiro não pareceu que tudo tinha sido falso.
Não foi.
Não sei mentir sentimentos.
Às vezes na vontade de acertar você acaba tropeçando e caindo de cara no chão.
Eu caí.
O blog começou por causa desse tombo. No primeiro post eu sentia raiva e muito ciúmes porque achava que todo o carinho que eu tinha havia sido jogado no lixo. Me enganei, o carinho foi protegido, graças a Deus e hoje eu vi o quanto todo esse sentimento parece ser recíproco.
Durante muito tempo houve um machucado que demorou muito para cicatrizar. Quando a cicatriz chegou eu ainda a sentia doer por dentro.
Hoje eu toquei aquele espaço e não encontrei nada.
Hoje eu desisti de ter medo da rejeição e pedi um abraço, hoje eu quis chorar por ouvir de alguém que sou especial, ouvir de uma voz há muito não ouvida que 'gosta muito de mim'.
As pessoas mudam, mas algumas coisas sempre são as mesmas.
Espero ter tempo de arrumar toda a bagunça que eu fiz, espero tempo para mais conversas como essa e espero que nada seja como era antes, que seja tudo ainda melhor.
Que onde não existe mais sentimentos, renasça algo da lembrança de tardes tomando sorvete ou jogadas no colchonete da varanda.
Eu quero pedir perdão.
Faz seis meses que tudo aconteceu e hoje eu queria pedir perdão, não por ter dado a minha opinião, mas por não ter tentando me explicar, tentando expor meu ponto de vista, perdão por ter perdido meu foco e ter magoado pessoas especiais.
Ainda sou a mesma, mas mudei muito. Possível? Certamente. A gente muda mas o que a gente é nunca deixa de ser.
Acho que nunca mais vai doer aquilo que doeu tanto no começo do blog, acho que eu cresci uns centímetros depois dessa conversa.
Acho que hoje eu vi a cor dos seus olhos como não tinha percebido antes, porque hoje eu queria que você lesse minha alma e hoje eu me mostrei.
Espero nunca mais ter que fingir que não vejo, ter que engolir o choro, ter que fechar os braços em torno do meu corpo me enganando com abraços falsos.
Obrigada por mais essa lição.
Obrigada Senhor pela oportunidade de começar de novo, sempre.

(Pelo som de: O Avesso dos Ponteiros - Ana Carolina)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Do outro lado do reflexo do Espelho


'Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz'

Aos poucos eu vou me deparando com novas facetas de mim e vou me acostumando novamente a ser essa metamorfose ambulante, por mais clichê que isso pareça.
Tive uma crise séria semana passada, o que me afastou do blog, aliás, acho que venho em crise faz um tempinho, deve ser a crise dos vinte.
É que esse ano eu termino a faculdade e eu não sei o que fazer! Pode não parecer assustador, mas para mim é demais!
Quando eu tinha dezessete anos e todos os meus amigos estavam em dúvida sobre a profissão, eu tinha certeza que queria cursar Letras. Mas e agora?
Agora eu tenho o mundo todo pela frente e cheguei a pensar em cursar até Engenharia Civil! Quem me conhece sabe que esse é um indício de que eu realmente não estava bem!
Aí eu fiquei pensando que a gente se preocupa tanto com o futuro que acaba se esquecendo de vivenciá-lo.
Planos e mil planos pra no fim acontecerem duas coisas: ou você concretiza e faz mais planos ou você se frustra e faz outros planos.
Hoje fiquei muito triste porque um plano não deu certo, chorei muito, quis que o mundo acabasse pra que eu não tivesse que sofrer por não conseguir concretizar tudo de tão legal que planejei. Mas a vida não acaba porque a gente não pega um edital. Ela não acaba porque a gente não passou no vestibular que queria. Não acaba porque sua melhor amiga foi embora ou porque seus pais querem que você curse uma coisa e você outra.
É meu amigo, a vida só acaba por motivos que eu não sei ainda quais são, mas pra ser sincera, se você respirar fundo por dez minutos vai desistir de querer que ela acabe.
Eu não sei o que vai acontecer comigo até o fim de 2010, eu não sei se vou tentar a prova do mestrado, se vou tentar outro vestibular, se vou me mudar pra uma cidade nova.
Eu não sei nada.
E eu não quero saber por enquanto, de vez em quando a gente tem que sorrir e deixar o vento soprar, o tempo vai passando e trazendo respostas, moldando tudo.
Peça desculpas àquelas pessoas que sonharam junto com você e que viram o sonho ir embora, não foi culpa sua. Peça desculpas a você e se orgulhe de ter feito o seu melhor ou até mesmo de ter feito apenas o possível. Você fez o que tinha que fazer, não dá pra voltar atrás do tempo, até porque o tempo não ia dar conta de ser rebubinado tanto.
Eu ainda penso que se nada der certo eu vou virar hippie.
Mesmo assim eu vou ser eu, mudando sempre, desejando sempre coisas novas e diferentes, tentando não planejar mas planejando, tentando não errar e errando.
Uma coisa é fato e é plágio: 'a vida tem a cor que você pinta'.
Sabe de que cor é a minha agora?
Ela é branca. Um íncrivel contraste com o meu nariz pintado, meu cabelo bagunçado e minhas roupas coloridas.
A minha vida não pode ter outra cor, ela tem a cor do novo, a cor do que ainda vai ser escrito, a cor que eu quiser!

''Olha lá que os bravos são escravos estão cansados de sofrer... Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida... Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar... Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar, pra não faltar amor...''

(Pelas notas de: Todo Carnaval tem seu Fim - Los Hermanos e O Vencedor - Los Hermanos)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A menina da Metamorfose Ambulante


'Meus cabelos pela grama e eu sem nem querer saber

Por onde começo ou onde vou parar...

Vou adiante como posso

Liberdade é do que gosto...'



Todos os dias enquanto vou para a faculdade fico olhando a paisagem pela janela, ouvindo qualquer canção e pensando pensando na vida...
A vida é mesmo movimento, acho que eu sempre soube disso, mas depois que li Clarice eu entendi que a vida é mesmo transfiguração.
Tudo muda.
E isso é tão maravilhoso!
Fala sério, já pensou como deve ser super tedioso ser um eucalipto? Plantado em fila, tão igual aos outros, sempre tombando para onde manda o vento, sempre em uma dança simultânea...
Não nasci para isso sabe... Nem coreografia eu conseguia fazer, ainda bem!
Porque é tão mais divertido você mostrar o seu ritmo, para quê seguir alguém?
Para quê ser a cópia do movimento do outro, se você tem o seu próprio ritmo, a sua própria ginga, se você tem o seu jeito único de se movimentar?
Eu não nasci para eucalipto não.
Eu fico olhando todos os dias, nem a paisagem permanece a mesma, às vezes o céu está mais claro, às vezes existem muitos carros pelo caminho. Nem a paisagem se contenta em ser sempre do mesmo modo!
Por que eu então é que tenho que ser?
Pra quê ter sempre a mesma opinião, o mesmo ponto de vista, a mesma respostas?
Não vale a pena ter tanta certeza, no fim vai tudo mudar mesmo e as respostas que você achou que eram certas, já mudaram.
Lógico que não dá para viver uma vida tão relativa assim, eu nem sei se acredito na relatividade mesmo. Há que se ter algumas certezas, no mínimo. Eu tenho as minhas, não digo que não são inabaláveis, mas eu luto por elas.
Acho que é tudo questão de acreditar, eu acredito nas minhas certezas.
E acredito também na força da dúvida.
A força que faz o mundo girar, que faz com que eu não seja uma paisagem monótona. Pelo amor gente, nem o deserto tem sempre a mesma forma!
Hoje eu gosto do branco, amanhã se quiser amar o preto me permito mudar.
Eu vejo a beleza da metamorfose, Martha Medeiros diz que sempre mudamos para melhor, e eu vou com ela.
Acho que quem não se renova fica preso, deixa de viver, passa a ser aquilo que sempre foi, com o tempo deixa de sentir até o vento batendo no rosto e bagunçando o cabelo.
Tem tanta gente que me acha maluca porque eu mudo tanto. Não me importo.
Eu estaria louca se ficasse para sempre do mesmo jeito. Sem alteração...
Já reparou que até uma folha de papel em branco, se deixada exposta, se altera?
Nem que seja pela poeira, mas ela vai escurecendo pouco a pouco.
A gente é assim também. Se a gente estagna e fica lá, esperando a vida, ela vai passando, deixando a gente amarelado para trás.
E até parece que eu vou deixar a minha vida passar e ficar para trás! Não mesmo!
Cada segundo que passou eternizou algo, deixou para trás, o que eu sou agora, não serei jamais.
Não tem como, não dá para viver duas vezes a mesma coisa.
Até os filósofos falaram sobre isso já.
A não ser que você viva no vácuo, se parar por cinco segundos e reparar verá a mudança acontecendo em alguma coisa a seu redor. E mesmo que não veja, ela acontece. Dentro de você milhares de células morreram e novas surgiram, seu coração bombeou sangue para o corpo, você está vivo!
Tenha orgulho então, aproveite essa oportunidade de ser o que quiser ser, porque só você tem potencial para cuidar da sua vida.
Só você pode mudar aquilo que te faz mal ou te deixa triste, só você pode tentar retardar um pouquinho o tempo para continuar sentindo a felicidade de estar no abraço apertado de quem se ama.
Só você pode escolher quando é hora de mudar, de deixar para trás algo bom e correr atrás de algo maravilhoso.
Vida de eucalipto não presta, no fim eles sempre viram papel...
É clichê demais, mas se hoje fosse o último dia das nossas vidas, eu teria vivido como se fosse o primeiro, um dia de descobertas, de olhar o novo que se apresenta diante de mim.


'Nascemos todos os dias quando nasce o Sol. Começa hoje mesmo a vida que te resta'.

(Ligya Fagundes Telles)

(Música: Meu Amor se Mudou para a Lua - Kid Abelha)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uns micos...

Ai que saudades de postar aqui...
Fico protelando, protelando, e acabo não passando por aqui...
Primeiramente, antes de filosofar, vamos aos casos da realidade.
Não foi uma semana difícil, graças a Deus!!
Tomei algumas decisões em relação às cicatrizes, mais ainda em relação à pessoa que me causou. Mas não vou mais falar disso. Vou tentar pelo menos. Já que a porta ainda está aberta, eu mesmo vou fechá-la.
Felipe ontem me disse uma frase de bobeira, na hora em que voltávamos de Carangola, 'não coloque como prioridade alguém que só te coloca como opção'. Ui.
Pois é. Acabou o assunto, todo mundo enxerga que estou melhor agora.
O dia hoje foi tão tão canstivo... Passei a tarde toda no banco, e cheguei à conclusões engraçadas...
Paguei alguns micos no banco, aliás, a semana foi de pagar micos...
Vou listar primeiro o mico do banco.
Fui entrar e lógico que esqueci que estava com a latinha de refri na mão.
A porta emperrou.
O guarda me mandou colocar a latinha no lugar indicado, coloquei, fui entrar e a porta emperrou de novo.
Chave dentro da bolsa, lógico que eu nunca saberia que deveria colocar a chave lá também né...
Tento entrar de novo e a porta continua emperrada.
Celular.
Aff.
Que transtorno pra entrar no banco, todo mundo olhando pra mim.
Fico a tarde toda pra resolver tudo que é necessário pra simplesmente abrir uma conta.
Na hora de sair, lógico q eu me lembrei de colocar o celular no local indicado.
Me esqueci foi da chave.

AFF.

Mico da Escola

Segundo dia de aula e eu ainda não tinha me acostumado às salas, leio no horário que tenho o primeiro período no 2°B. Pensei que era a sala que eu já tinha ido no primeiro dia, subo toda feliz, porque gostei dos alunos, preparo o maior sorriso do mundo e entro na sala de uma vez só:
- Bom dia!!!!!!!
Todo mundo cai na gargalhada, olho pro lado e já tem uma professora lá.
Aquela sala era o 2°A.

¬¬'

Eu consigo.

rs


Como todos dizem por aí, quem não paga mico, não tem história pra contar!

:D

Eu tenho mta história pra contar...

sábado, 3 de outubro de 2009

Defeito de Fábrica

Eu não choro mais por você. Descobri isso ontem.
Mas mesmo assim, eu ainda sinto sua falta, tá escrito em tudo que eu faço, não posso fingir que não.
E ainda me pergunto 'por quê?'.
Por que gostar tanto de alguém tão complicado?? Gostar tanto de alguém tão orgulhoso, tão dono da verdade, tão metido a auto-suficiente??
Às vezes eu tenho tanta raiva de você, que eu penso até que te esqueci.
Mas passa a raiva e lá estou eu novamente acariciando a cicatriz de feridas tão antigas.
Acho que vim com algum defeito de fábrica, todo mundo que te conhece sabe até onde se envolver. Eu nunca soube.
Eu gostei de você naquele primeiro olhar, eu deixei você significar muito pra mim em dois dias, eu te dei muita importância, te coloquei em um pedestal que você não merecia.
Não por você. Mas porque ninguém é perfeito, pedestais são ilusões!
Eu me decepcionei com você, mas ate isso eu virei contra mim, eu consegui ficar deprimida por não ter sido tão perfeita quanto você gostaria...
Eu tenho um defeito de fábrica.
E eu te dei poder demais pra minha própria saúde. Você falava e era lei.
Que idiota que eu sou, isso tudo só podia dar nisso mesmo!
O problema não é só você, é no que você se transformou para mim.
Todo mundo enxergava o quanto eu mudava por você (não que você me pedisse isso, mas que eu quisesse ser aceita), eu não. Porque eu só conseguia enxergar você.
Não sei outro nome, é mesmo defeito de fábrica.
Agora eu acho que você quer me enlouquecer!
E me lembro de você dizendo o quanto eu era prepotente por achar que você fazia as coisas só pra me atingir.
Como você não me nota a dois passos mas deixa que todos saibam o quanto te adoro?
Como você me mata, mas deixa tudo que eu te falo enfeitando sua página de recados?
Como você deleta uma amizade mas não me deleta do círculo de amigos virtuais??
Eu queria tanto saber!!!!!
Porque eu, mesmo deletando nossas fotos, seus recados, os emails trocados, não consigo deletar você da minha vida.
Você quer me enlouquecer, só pode...
Porque você se quer se dá ao trabalho de me responder!!
E eu sequer tenho a coragem de apagar os recados que te mandei, os depoimentos que ainda hoje são verdadeiros. Eu não tenho coragem de 'apagar' você, porque tenho medo de que você não se importe.
Tenho medo de te dizer tudo isso e romper o único laço frágil que nós temos, o virtual.
Tenho medo, mas tenho vontade de que você diga 'sim' ou 'não' de uma vez.
Pra acabar com essa angústia minha, com essa vontade de saber se eu fui/sou importante.
Eu queria te odiar, ou simplesmente te esquecer. Quem sabe queria mas não estou me empenhando... Porque você deixa sempre uma porta entreaberta, por onde eu vejo uma nesga de luz e insisto acreditar...
Não consigo não acariciar essa cicatriz fina que ficou onde bateu a pedra da nossa última conversa.
Que droga de nostalgia, droga de esperança que eu insito em sentir.

Cicatriz

'Eu queria decifrar as coisas que são importantes.

(...)

Pra tanta coisa importante falta nome.'


Eu queria que fosse tão fácil tirar você da minha vida quanto foi apagar os seus emails, quanto foi deletar todas as fotos.
Eu queria que deletar fosse simples, deletar as lembranças, as conversas, as risadas.
Deletar o sentimento idiota, o carinho que às vezes eu acho você tão indigna de merecer.
Eu queria que Drummond fosse apenas meu poeta querido novamente, queria ouvir U2 e ouvir simplesmente a voz do Bono sem me lembrar o tempo todo de você.
Eu queria que você fosse um pouco (na verdade muito) menos cabeça dura, fosse menos metida a dona da razão, menos infantil, menos arrogante. Mas essa é você, e Deus, eu ainda gosto de você sendo assim.

Ah, eu queria não escrever mais sobre isso aqui no blog, mas eu não consigo não falar de você.
O machucado secou, mas virou uma cicatriz que eu pareço fazer questão de ficar acariciando.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Wake me up when September ends ...

Tá chovendo hoje, desde a hora que eu acordei, isso colabora muito pra minha nostalgia...
Eu queria que alguém me acordasse mesmo só quando isso tudo tivesse acabado, mas assim, eu deixaria de tirar lições fundamentais, não é mesmo?
Ando tentando tirar algumas...
1 - Você vai sempre se surpreender com as pessoas que estão a sua volta. Torça para que sejam surpresas positivas.
2 - Você vai sempre se sentir sozinho. Espero que entenda que é preciso para o crescimento, é preciso aprender a trilhar o próprio caminho, aprender a se abraçar, a se perdoar, a se amar. A melhor companhia vai ser você quando você finalmente entender isso.
(Ok, eu ainda não entendi isso, mas eu sei que preciso, portanto, já é uma lição)
3 - Amigos são pesssoas que te fazem melhor, mas amigos mesmo. Há que se ter muito cuidado na hora de escolher, para não depositarmos grandes sonhos nas mãos de pessoas tão pequenas... Para não frustrarmos o nosso coração e colocarmos a culpa nos outros.
4 - Ainda que seu coração pare de tanta dor, a vida vai continuar. Olhe o céu, deixe as lágrimas rolar e entregue sua vida a Deus. Ele certamente sabe o que é melhor para você.
(Oh, sabe mesmo!)
5 - Entenda, sofrer faz parte, reclamar não. Quando você descobre que o sofrimento te faz mais forte, é preciso dar graças até por ele...
(Obrigada Senhor, porque tens me mostrado o quanto eu preciso de Ti).
6 - O que os outros pensam de você não é da sua conta. Não é problema seu, você não tem que viver para isso ou por isso. O que é da sua conta é a sua vida. O que você é de fato.
7 - Sempre vai haver quem te dê a mão, quem seque a sua lágrima e que te faça o melhor cafuné do mundo. Alguém que estava ali desde o princípio e você na sua cegueira nem notara.


(...)

Ah, ficaram como lições de moral, não era o que eu queria. Na verdade, hoje eu não sei bem o que eu queria, eu ando me permitindo não saber o tempo todo. Eu sinto saudades, saudades que eu sei que não posso sentir, e isso tá me deixando um pouco triste/tensa, mas eu ando pedindo a Deus para curar meu coração, para me fazer esquecer tudo isso. Eu sei que Ele tem preparado o melhor para mim.
De mais a mais, que nunca sofreu por fim de relacionamentos que atire a primeira pedra... rs

Eu fico vendo as cachorras brincando aqui embaixo, elas são tão felizes, tão espontâneas, eu queria ser um pouco como elas, não se preocupam, não olham para as diferenças de raça, de cor, de tamanho, de nada. Elas querem mais é se divertir juntas, brincar, ser felizes.
Eu quero muito um dia ter essa liberdade na minha felicidade.

Nicole fez um poema no blog dela que me fez chorar, não vou postar aqui porque não quero mais essa lágrima. Essa página já tá carregada demais...

Amanhã vai ter sol, eu sei!
Por enquanto, ainda odeio me lembrar de você em muitas coisas, odeio ter jogado fora uma pasta inteira de músicas que eu gostava, mas que evocavam sua presença, odeio deixar o Felipe triste com o meu silêncio, porque ele sabe que eu sofro por algo que não vale a pena, eu também sei.

Ok, já estou até começando a achar graça, bom primeiro passo.
Vou terminar o post assim.
'Toda pedra no caminho você pode retirar
Numa flor que tem espinhos você pode se arranhar
Se o bem e o mal existe
Você DEVE escolher.
É preciso saber viver!'



Beijooo.

(Música: É Preciso Saber Viver - Roberto Carlos)

domingo, 30 de agosto de 2009

miopia

E o povo ainda tem coragem de dizer que Deus escreve certo por linhas erradas!!
Quê isso!! Deus escreve mto certo e por linhas perfeitamente traçadas... A gente é que tem miopia e num entende nada dos desígnios divinos...
Eu achei q o mundo fosse acabar tantas vezes, e eu achei que eu fosse ficar sozinha se ele não acabasse, achei que nunca mais teria coragem de confiar em ninguém, q decepção nos fizesse sofrer por tempo infinito. Que o buraco q certas pessoas abriam ao sair das nossas vidas jamais seriam fechados.
MENTIRA!
Tudo mentira.
Todo mundo é substituível e isso é simplesmente maravilhoso!
Tô chata falando toda vida de amizade e tals...

Mudar de assunto.
Hoje teve louvorzão aqui na praça, mtomtomto bom!! Fazia tempo que eu não me sentia tão serena (e tão cansada, pulei pakas!!!!). Ah, como eu já meti os pés pelas mãos nessa minha vida de vinte anos!!! Como eu já quis q tudo fosse do meu jeito e nem pensei q do meu jeito não seria do melhor jeito.
Deus tem sido tão misericordioso e generoso comigo!!
Vou ter que postar:
'Por onde eu for a Tua benção
Me seguirá!
Aonde eu colocar a minha mão
Prosperará!
A minha entrada e a minha saída
Bendita será,
Pois sobre mim há uma promessa:
Prosperarei
Transbordarei!
Os meus celeiros fartamente
Se enxerão!
A minha casa terá sempre
Tua provisão!
Onde eu puser a planta dos meus pés
Possuirei,
Pois sobre há uma promessa!
Para a direita,
Para a esquerda,
A minha frente
E para trás...
Por todo lado
Sou abençoado
Em tudo que faço
Sou abençoado.
Toda sorte de bençãos
O SENHOR preparou para mim
E em todas as coisas
Sou mais do que Vencedor!'

E tem ainda um pedacinho de outra...

'Posso enfrentar o que for,

Eu sei quem luta por mim
Teus planos não poder ser frustrados!
Minha esperança está
Nas mãos do grande 'Eu Sou'
Meus olhos vão ver o impossível
Acontecer!'

E eu queria agradecer demais !!!! !!!! !!!!
Obrigada Senhor, por me permitir começar a enxergar novamente, por diminuir minha miopia!
;D

(Músicas: Por Todo Lado e Deus de Promessas - Ministério Apascentar)
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