quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Da estrela da minha vida


Amor, é primavera novamente e eu venho sempre ao seu lugar no mundo para ver o céu azul quase lilás, aquele tom que me lembrava os olhos que nossos filhos teriam.
As pessoas dizem que isso é masoquismo, mas não acredito ser, seria se meus olhos ainda se enchessem de lágrimas dolorosas, hoje me basta apenas sentir falta, não dói mais.
É como uma saudade de um tempo que ainda não passou, algo parecido com aquela canção do Legião que você fingia saber tocar no violão, era você quem tinha a cura pro meu vício de insistir na saudade que eu sinto de coisas que ainda não vi.
Como faço agora? Não faço, sinto essa coisa boba aqui dentro mesmo, sem motivo.
Rabisco estrelas, aquelas que você em uma noite prometeu que me daria. Qualquer pedaço de papel bobo vira um céu estrelado, o lugar em que eu, como o aviador do Pequeno Príncipe, acredito que você esteja, minha estrelinha brilhante.
Não compreendo dessas coisas de morte, acho terrivelmente injusto alguém como você, tão cheio de potencial ter partido tão jovem. Mas me basta de sentir sua falta. Algumas coisas apenas são.
E a saudade é. Tínhamos planos para o futuro, você queria ser astronauta e depois não queria mais nada, era um menino ainda. E quando eu me pego pensando que você não será nada me vem uma vontade de ser tudo por você, porque era o que você me cobraria, você que sempre esperava tanto de mim.
O nosso tempo nunca passará não é mesmo? Amor, a gente nunca terá a chance de entrar correndo em casa depois de um banho de chuva e fazer aquela cena linda que a gente assistiu junto de um casal que se ama alucinadamente. Éramos tão inocentes para pensar em coisas desse tipo e hoje eu sou quase uma mulher e você vai ser pra sempre aquele menino levado por um acidente tolo.
Eu sinto falta de tudo que não vivemos, sinto falta da alegria de ver você passando no vestibular, sinto falta dos meus dedos roçando o seu cabelo recém rapado, da implicância pelo fato de que você ficaria parecendo um extraterrestre com essa cabeça branquela de fora.
Sinto alucinadamente a saudade de assistir com você todos os filmes que saem em cartaz e escutar você dizendo que eu sou patética por chorar tão facilmente no cinema.
E eu sinto o modo como a sua mão apertaria a minha em cumplicidade ao notar que meus pais estavam nos vigiando namorar, sinto o cheiro que teria quando você me abraçasse e diria que meu vestido floral é o seu preferido, esse que eu visto agora e que você nunca viu.
Sabe, quando minhas lágrimas caem elas não são desesperadas, eu sei que você foi porque era sua hora e que me coube ficar porque existem propósitos para isso. 
Mas superar você é impossível, apagar o meu moleque que era péssimo de futebol e que eu deveria ter dado um primeiro beijo antes de partir é pedir demais para esse coração que até hoje vem até aqui desenhar estrelas, aquelas estrelas que você foi buscar para mim e nunca mais voltou.
Eu não queria mais nenhuma delas. Desculpe amor, eu devia ter te falado no primeiro dia que estrelas eu já via nos seus olhos, uma fala que te faria rir da minha cara e dos meus modos piegas, mas que diria o que até hoje me culpo por ter deixado você sair sem ouvir.
Quem sabe por tanta estrela desenhada você entenda onde estiver que meu céu só tem beleza porque existe ainda a esperança de que a saudade mesmo sem passar, acabe um dia.
Quem sabe um dia eu mesma vire uma estrela e a gente fique junto, pra sempre.

(Ao som de: É o que me interessa - Lenine)

Um comentário:

  1. Muito bonito seu texto..realmente incrivel.
    Eu acredito que a mensagem ai passada seja "Não espere o amanhã"...como escutei uma vez: "Se for para vir agora tudo bem, estarei pronto, mas se de qualquer forma não vier, mesmo assim estarei preparado pois um dia com certeza há de vir"...

    Estar pronto para tudo é dificil, mas quando se está, então nada o supera.

    Baby..escreves bem. Continue assim.

    Beijo, visitarei com mais frequencia, acredite.

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