quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A dona daquele Sonho


'Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem'


Era uma rua comum, naquela vaguidão clara dos postes às duas da manhã.
Aqui e ali poças ainda teimavam em reluzir vestígios daquela chuva.
Janelas apagadas, portas bem trancadas, até a solidão canina brilhando em olhos lá longe cabiam naquele espaço.
E ele acabara se lembrando que rua um dia fora ruga, em latim. Coisa besta de se lembrar naquela circunstância.
Havia o mundo lá fora e um coração enrugado no peito, cheio de memórias de ruas e casas e vidas...
Exausto, jogou-se na calçada a espera de alguém se compadecesse e o levasse embora.
Coisa mais triste de ver era aquele sonho jogado ali, ao léu, numa rua qualquer, só porque por desajeito de nascença não vingara.
Passando por ali voltando para casa ela nem pestanejou, de mãos estendidas recolheu o sonho e desde então a rua tem uma moradora mais sorridente, uma moça de olhos fortes que guarda um sonho secreto encontrado às duas da manhã de pleno dezembro molhado.
Sonho é assim, não tem hora pra encontrar lugar no peito alheio.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Querência


'Truque do desejo
Guardo na boca o gosto do beijo'

Amor, venha com força, como esses ventos tempestuosos do verão que nós tanto amamos.
Arrase com tudo ao meu redor e me pegue no colo, me salvando do caos que você mesmo trouxer.
Não me venha com delicadeza, já me basta a brisa.
Atire as flores no chão e me chame para fugir, uma casa na árvore, na beira do penhasco ou apenas nos nossos sonhos tolos de adolescentes.
Diga que serei apenas sua e que nada mudará nosso destino construído muitos anos antes.
Apele para a força se eu relutar e me ame.
Me ame como se eu fosse uma tartaruga fraca recém saída do ovo e precisasse de toda a força nas pernas para alcançar o mar.
Assista meus tombos e me ofereça a mão, implique com minha mania de inventar palavras, leia Guimarães para mim e toque canções desafinadas no violão.
É do incerto e imperfeito que eu gosto, você sabe tão bem.
Seja a melhor companhia, presente ou não, seja o meu namorado.
Quase sempre o melhor, mas em todo tempo o único que eu quero ter.

(Ao som de: Palpite - Vanessa Rangel)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A good good night



I gotta feelin'
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good good night

Caberia muito bem as resoluções para o próximo ano, mas eu ainda nem disse o quanto todo esse dezembro me valeu por mil!
Meu presente de Natal eu abri antecipado, sou precoce. Ele veio no dia 17 de dezembro, naquela bagunça interna que foi me despedir de pessoas que por três anos estiveram tão comigo que em alguns momentos foram parte mesmo.
Eu que pensei que choraria o tempo todo durante a formatura não derramei uma única lágrima. Era felicidade demais por mais essa etapa, por ver realizado o sonho ou apenas por saber que deu certo, no fim das contas.
Jamais imaginei que seria tão feliz! Quando bati o pé e teimei em cursar Letras nem de perto poderia prever que no meio do caminho encontraria pessoas que levaria para sempre, que faria amizades e criaria vínculos que ficarão de um modo mágico.
Ali no meio daquela festa toda, ao lado de pessoas com as quais já briguei muito e ao também de amigos que o foram desde o primeiro dia eu não conseguia mais pensar, não conseguia articular que depois dali seria quase nunca.
Somente essa semana eu fui sentir a nostalgia de olhar para as fotos e me lembrar que no ano que vem não haverão mais brigas por conta de ventilador, nem cola, nem aula matada dentro do banheiro, nem nada.
Vai ficar só na memória, e até a memória tem inveja da felicidade, porque ela é para sempre.
Quando o Natal chegou eu só agradeci porque ver um sonho concretizado não tem preço, que dirá compartilhar essa realização com os melhores amigos.
A todas as pessoas que estiveram lá fisicamente e também de coração, muito obrigada!
Se eu pudesse trazer um tantinho da alegria que me inundou eu aposto como o blog se encheria de um tom amarelo e cada palavra sairia no ritmo inesquecível de 'I Gotta a Feeling'.
Eu vou morrer de saudade o tempo todo.


(Ao som de: I Gotta a Feeling - Black Eyed Peas)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O destino que eu mudei

'Entre todas as novelas e romances
De você me lembro mais
De você não me esqueço
Jamais'


Se você tivesse a chance de ler o livro da sua vida, como seria? Se nas suas mãos, lauda por lauda você enxergasse os seus erros e acertos, você teria a coragem de alterar seu próprio destino?
O Sol nascia e ela virava mais uma página. 
Era um presente dele, aquela história narrada em terceira pessoa mas tão em primeira, tão dela em cada linha, em cada angústia ou medo transcrito. O dia passou e sem conseguir parar ela suspirava ao virar as folhas, coração na mão por ver o final tão próximo. Fechou os olhos e bateu as capas, desnecessário reler o sofrimento que lhe causara, a dor que impusera a si mesma por puro comodismo, fosse como fosse, não queria ler o fim.
Atravessou o orgulho e foi até ele:
- É lindo.
- Obrigada, de fato o foi.
E terminaria assim? Uma vontade de rasgar tudo aquilo a invadiu e ela apenas o estendeu para ele:
- É seu, eu já li.
- E como termina?
De relance ela olhou para o chão, sem saber o que dizer, ele insistiu:
- E como termina?
- Como todos os romances do planeta?
- Você acha que essa história merece mesmo um 'felizes para sempre'? - ela precisava começar a acreditar na felicidade.
- Eu não sei.
Virou as costas e sairia com o livro, não fosse o som forte da voz dele chamando seu nome.
- Ana.
Encarou-o novamente.
- Toda história tem um fim, mas jamais se é feliz para sempre. Não se culpe por isso.
- Não me culpo. A
gora eu preciso ir.
Ela forçou um riso tímido, ele esboçou um olhar crítico.
- Não, você não vai. Eu ainda quero escrever muitas histórias.
- Então, não é o fim.
- Foi, mas sempre haverá espaço para novas histórias se você quiser.
Talvez não houvessem chances de se mudar o que foi escrito, mas haveria, certamente, a oportunidade de se escrever novas histórias, ainda que com mãos calejadas.


Texto para a 6ª Ed. Roteiro do Bloínquês, essa imagem perfeita é do filme 'Orgulho e Preconceito', versão cinematográfica do romance de Jane Austin. Eu não poderia não aproveitá-la.

(Ao som de: Minha vida - Rita Lee)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pra lá de onde o vento faz a curva


'Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos...
Vento ventania
Me leve pra qualquer lugar!'

Era vocação pra pipa ou qualquer coisa do tipo, vontade de soltar os pés e ir-se indo, pleonasticamente, ao vento.
Já pensara ser medo de viver, já ousara chamar de covardia... Mas achava agora que era coragem em excesso, essa coisa de quem nasce com o umbigo livre, jogado no rio. Faltou quem enterrasse e dissesse que era ali o seu lugar.
Era um sem-lugar até interno, aquela presença de alguma coisa ali dentro do peito, coração inteirinho e bem lustrado, mas faltando um pedaço que não vinha com ninguém, era um pedaço destinado a ser ausente mesmo.
Vai ver era a regência do ar sobre seu signo, devia ter nascido terra ou qualquer outro elemento... Até a água tão feroz tinha seu destino certo, o mar.
Verdade fosse dita, ela estava sempre pronta pra partida, mesmo sabendo-se fixa.
Qualquer hora conseguiria ter a leveza suficiente para decolar.
Faltava esvaziar-se de algumas pendências antigas, ou deixar de ser besta e acreditar novamente em conto de fadas.
Pensar em coisas belas e decolar.

(Ao som de: Vento Ventania - Biquini Cavadão)

domingo, 5 de dezembro de 2010

O que eu não quero ouvir


Ana Terra não era a mais experiente no quesito Amor, então quando a professora de Literatura questionou com entusiasmo o poema ultra sentimental da segunda geração romântica ela fisgou os olhos no quadro, mordiscou o lábio e deu de ombros, aquele gesto tão seu:
- Ah professora, para mim o Amor é só ele, deixo ele meio em paz.
Não satisfeita a professora insistiu em uma definição mais objetiva da menina, que impertinente não poupou sinceridade na fala:
- Bem, é que o Amor é como uma coisa estragada que a gente não consegue jogar fora. É isso.
Atônita, a mulher desistiu de arrancar alguma coisa poética daquela criatura já tão prática, tão ciente dos acontecimentos reais da vida, virou-se para o quadro e suspirou.
Vai ver que lá no fundo, onde a gente guarda as coisas em segredo, fosse um pouco assim mesmo.
Algo lindo trazido da infância que te traz as melhores lembranças e que de vez em quando você precisa apertar bem próximo ao peito pra sentir o coração bater mais forte. Que faz com que você se sinta segura por saber que está lá apenas, bem guardado, tão seu.
Ou não.

(Mais uma dessa menina-mulher, inspirada em uma definição dada por uma grande amiga para o meu TCC, sobre o Amor. Ela nem sabe o quanto essa definição norteou o meu trabalho, e algumas vezes até o meu sentimento. No fundo todos nós já pensamos assim em algum momento, não é anti-romântico, é só provável, concreto. Bem dela mesmo)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sîl vous plait



God bless the child
(Deus abençoe a criança)
Inside the girls of summer
(que há dentro das garotas de verão)


E já é dezembro novamente, deixe de ser tão emburrada, o ano está acabando e você terá o próximo só para isso.
Troque o cd, arrume alguma canção animada e faça o favor de se deixar dançar.
Encontre o seu melhor sorriso e abra essa janela, deixe o Sol entrar, ele é soberano de uma forma ou de outra, se não pode detê-lo, junte-se a ele e faça o espetáculo mais belo.
Passeie pelo jardim ou pelo quintal, importa é por os pés no chão e sentir a terra queimar, pulsar, você ainda vive nela, sabia?
Tome sorvetes sem medo, você não está gorda, está aproveitando enquanto pode, depois de morta vai ser gelado demais para você saborear qualquer coisa, pode apostar.
Deixe dezembro contaminar você e te tirar da cama cedo, deixe o verão entrar todo cheio da sua preguiça típica de sol de meio-dia, deixe ele pulsar nesse coração e derreter aquele gelo acumulado desde invernos ultrapassados. Já era.
Olhe o azul do céu e pense que a chuva logo o levará embora para trazê-lo sempre novo, num ritmo tão constante quando as notas musicais de La Bamba.
Ache cada segundo proveitoso, faça com que seja verão por dentro, por você e por mim.
Faça com que dure ao menos essa estação e que valha tão a pena, o seu melhor verão.
Já dizia a propaganda que é agora que acontecem todas as coisas que contaremos.
Vá viver! Ficar parado é para samambaia de quintal, e até elas se abusam no verão.
Hidrate-se e abuse do protetor.
Abuse de tudo que puder te fazer melhor.
Dezembro está só começando, mais para o fim a gente para pra fazer planos, ainda há um mês para cumprir aquelas metas sonhadas no começo do ano.
Anda, vamos começar a ser feliz, dá um tempinho ainda, te juro que dá.
Vem comigo, porque como diz a canção, as melhores coisas da vida são grátis.


(Tradução do título: Por favor)
Ao som de: Girls of Summer - Aerosmith

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Apodrecido por amor


Fazia o tipo sério, daqueles que escolhiam amores a dedo.
O problema era que apesar das unhas bem feitas, ela tinha o dedo podre. De infância diagnosticado, ainda que o pai lhe aparecesse com bons pretendentes, os dedos se moviam e apontavam aleatoriamente.
Coração ia querendo um ou outro vagabundo e na dança do malandro entrava já de olhos fechados, suspirando.
Ah, o amor...
Tão banal!
E o pobre coitado do colega de trabalho que mandava flores, ia a missa, pagava o cinema e emprestava o ombro nunca ia ter chances se continuasse assim...
Inventou uma amante, apareceu de barba por fazer, perfume vencido, cheiro de vodka barata soprando na nuca. E a mulher nem charme fez, comentou qualquer coisa da mudança e lançou-se alvoraçando os cabelos...
Nem chegou a saber que ele passara de fato a noite em claro com uma dama, aprendendo a ser o homem ideal: fora visitar a mãe, abandonada pelo pai há anos.
Tornara-se phd em vagabundagem, daqueles dignos dos dedos mais apodrecidos.
Coração em flor, pintado de brejo.


(Achei a imagem no blog: O Amor é uma Falácia, excelente por sinal!)


sábado, 27 de novembro de 2010

Estou aprendendo também


'É poder ser você mesmo
E não precisar fingir'


'Felicidade completa e redonda era a dos hipopótamos num domingo de Sol' - Ana Terra pensava caminhando pelo zoológico. Fosse um pouco maior e tivesse lido Clarice entenderia que essas coisas não são bem assim, não explica-se e muito menos entende-se a felicidade.
Mas eles estavam ali tão imersos no seu banho habitual de lama, tão exploradamente contentes em serem vistos nus e sujos e obesos. Eram gulosos de alegria mesmo.
Impaciente, cutucou o irmão:
- Os hipopótamos são felizes?
O menino afim de demonstrar conhecimento esclareceu:
- Lógico que não são, os animais nunca são felizes, eles não sabem sentir.
E ela quis mais ainda entender porque sentir significava ser feliz, afinal de contas, já sentira tanta coisa, de dor ao prazer de saborear um bom sorvete. Aquilo era felicidade? Aquela coisa móvel que se passava num piscar de olhos? 
Vai ver os hipopótamos eram felizes por não sentir mesmo, assim não havia nada que atrapalhasse, nem medo ou injustiça ou raiva ou mesmo a procura boba pela felicidade.
Deu de ombros, talvez os humanos pensassem demais e sentissem de menos, falha na evolução, certamente. Vai ver tinha nascido pra bicho.



Ao som de: O que eu também não entendo - Jota Quest

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Somehow




And I don't want the world to see me
(e eu não quero que o mundo me veja)
'Cause I don't think that they'd understand

(porque eu não acho que eles entenderiam)



Por favor, permita que eu chore um pouco antes de me abraçar, antes de sorrir novamente e dizer que sabe que vai ficar tudo bem, que sabe que sou capaz.
Não quero saber o que você sabe, não agora.
Sinto muito mas o medo me invade, ele não te escuta, não há nada que alguém diga que o convença a ir embora, vou ter que levá-lo comigo, pode apostar.
Ali na beira do penhasco é tão bonito sabe, eu vejo tanta coisa lá embaixo mas nada me prende os olhos, eles estão no céu, nas nuvens que você diz que posso sobrevoar.
Mas eu não consigo tirar meus pés do chão.
Como eu vou saber se as asas são fortes com tanto medo assim?
E se eu cair? E se o ar for tão gelado e eu não conseguir respirar? Se por algum motivo tolo as asas não baterem na velocidade necessária?
Você sabe que eu sou um desajeito de pessoa.
Foi culpa minha que insisti pro mundo que queria aquela liberdade do bater de asas, eu que agora planto os pés porque sentir o vento daqui é tão mais seguro.
Me desculpe, eu não sei perder.
Dizem que sempre tem a primeira vez e o medo é mais dela do que de qualquer outra coisa.
Promete que se minhas asas não forem fortes o bastante você vai jogar uma corda e me tirar lá debaixo? Diz que eu vou ser pra sempre a mesma, independente de tudo ou nada.
É tanto medo, faz tanto frio que eu sei que vou, mas não sei que parte inteira de mim vai sobreviver de asas abertas ou não.
(Ao som de: Iris - Goo Goo Dolls)

(O post ficou tão confuso quando a bagunça que está na minha mente. São tantas coisas em tão pouco tempo que eu nem me lembro mais como é sentar, respirar fundo e ter um pensamento romântico. Eu espero que tudo dê certo de um modo mágico, é a melhor maneira, acho que é a única de que fato eu consigo acreditar)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Feita de pólvora e pérola



Não há pedra em teu caminho,
Não há ondas no teu mar,
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar

O sorriso dela me faz tão bem, amolece o coração de um jeito todo infantil, feito maria-mole em pleno verão. Duas da tarde e eu me pego morrendo de rir das coisas que só ela sabe dizer, da 'falta de segurança' que vem de um lagarto em plena porta da frente.
Tem alguma coisa nela que me faz querer ser melhor, querer ter essa segurança pra trazer pra ela. Talvez seja o jeito em sépia do olhar ou as pérolas mesmo, que habitam naqueles olhos tão doces e fortes e cheios de mistérios. Uns olhos que nem Capitu se atreveria a encarar por muito tempo, com medo do mar e do lago que vez ou outra variam lá dentro.
E tem o modo como ela impera pedindo ou pede imperando, eu nunca sei dizer. Um jeito meio intransigente de te fazer querer aceitar a vontade dela, ou de transformar a sua para lhe caber. Vai ver é a vontade de deixar o sorriso reinar mesmo.
Ela tem essa coisa imensa dentro dela que faz aquietar e em silêncio cúmplice partilhar olhares, pensamentos, mundos inteiros.
E ali dentro do mundo dela você vai encontrar tanta coisa linda que nunca imaginou estar ali, tudo bem organizado e separado no seu lugar, a não ser os sentimentos, insano isso de pensar que sentimento tem lugar reservado pra estar.
Dentro dela existe uma força motivadora, um líquido efervescente e milhares de superlativos e metáforas. Todos em total sintonia, em pleno companheirismo, formando essa personalidade tão cheia de mistérios.
Quem dera falar dela fosse simples como sentir todo esse carinho, como desejar tudo de melhor. Mas há um quê sempre ausente, sempre indefinido, sempre pairando em algum lugar entre os lábios e os olhos. Haverá sempre uma palavra desencontrada, porque ainda que eu estude linguística e ame metáforas, como dizia Adélia Prado, as palavras só contam o que se sabe. E ali dentro daquele espaço pequininho mora a essência dessa mulher tão encantada que de bruxa jamais teve nada. 
Ali é um território inabitado, por isso tão expressivo, por isso tão sem palavras.
Tão dela, e só.

Feliz aniversário Pessoíssima linda, inteligente e ótima motorista.
Minha amiga, irmã, orientadora, orientanda, cúmplice e comadre.
Menina-mulher tão cheia de personalidades e pluralidades, sempre.
Deus te crie.
Amo você.

(Ao som de: Dona - Roupa Nova)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Passarinho de papel, voou e nem vi.


'Faz tempo que eu me perdi de você'

Vou fazer um origami do meu coração, está todo amassado mesmo, ao menos vai ficar bonitinho.
Dobro tudo e colo uma fita pra guardar na estante.
Venha visitar vez ou outra para ver a poeira acumulando no que você jogou no lixo, quem sabe você até assopre e tenha compaixão.
Quem sabe se compadeça e afague o buraco que me restou aqui no peito.
Ou talvez, num golpe de muita sorte, ele nem esteja mais lá.
Origami ganha vida e aprende a voar.


Ao som de: As cartas que eu não mando - Leoni


(Totalmente fictício)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

If You Are My Friend


É, você pode ser de dois tipos, um grande amigo, ou não.
E você é meu amigo se eu já te contei segredos absurdos, se eu já fiz você morrer de rir narrando meus medos bobos e meus sonhos de criança.
O é se já me viu chorar por um motivo diferente de estar de TPM, afinal, eu sempre choro por esse motivo.
Provavelmente você é meu amigo se já escutou palavras erradas da minha boca, eu não tenho medo de errar o português com meus amigos.
Ou então se você sabe que eu não posso comer queijo ralado, canela em pó e alguns condimentos. Se sabe da minha paixão por azeitona, goiaba e Guaraná Antarctica.
Meus amigos são aqueles que cantam pra mim quando eu estou triste, que seguram minha mão e que estão lá por mim, sempre.
Você é do time se eu já te xinguei, no mínimo umas dez vezes.
Se eu, ainda que uma vez por mês, te disser o quanto você é especial e se você souber perceber os meus dois lados: Paola/Paulina Bracho.
Quando eu não precisar do orkut pra lembrar o seu aniversário, você é meu amigo.
E se você o for, por favor, cuide do seu espaço.
Não deixe papéis pelo chão do meu peito, não faça bagunça e traga convidados, é sempre bom conhecer gente nova.
Sobretudo, você é meu amigo se você compartilha sonhos.
Porque amigo mesmo, é quem sonha parecido.


(Eu preciso agradecer hoje aos meus amigos que o são independente de qualquer coisa, aqueles que estão aqui pro que dá e pro que vem. Sempre. Eu sou grata a Deus por todos vocês, meus poucos e bons).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Não apenas por quem sou


'Quem sou eu pra que o Deus de toda a Terra
Se preocupe com meu nome?
Se preocupe com minha dor?'

Tão fraca e cheia de medos. Tão insegura quanto ao futuro, quanto ao próximo passo e quanto a todo o resto, essa sou eu.
Comum, talvez com defeitos diversos, mas bem próximos aos seus. Ínfima.
E ainda assim existe esse amor incondicional por mim?
Não há como entender.
Me permito então me achegar o mais próximo que posso e aquietar meu coração, suspirar por saber que estou nas mãos daquEle que prepara grandes coisas para os que nEle acreditam.
Me entregar e confiar nos seus desígnios, sossegar o coração tão aflito apenas por saber que em Ti posso confiar.
Sempre.
Ainda que a figueira não floresça, que a videira não dê frutos, que todos se virem contra mim, em Ti sou forte, não é o que me dizes?
E não sou por mim, sou porque pelo Teu nome e pelo sangue do Cordeiro Tu me fizestes nova.
Então eu fecho os meus olhos, derramo minhas lágrimas por não conseguir entender todo esse Amor de Pai e em silêncio digo o quanto te amo.
O quanto preciso de Ti, o quanto desejo de verdade satisfazer todos os seus planos.
Desejo que me molde conforme a Tua vontade, desejo que meus sonhos sejam do teu agrado e que eles se realizem para a sua glória, não para a minha.
I believe.
Minha fé contida transborda quando novamente volto meus olhos e vejo que Você sempre esteve ali. E vai estar.
Obrigada.

'Eu não estou só, Te sinto aqui. Quando o vento sopra contra mim, os problemas tentam me abater, eu me lembro o Grande Eu Sou me enviou. Eu tenho um chamado, jamais vou me calar. Eu fui escolhida no ventre da minha mãe, eu sei que Deus não abre mão de mim.'

Ao som de: Quem sou Eu - PG/ O Chamado - 4x1



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Você que não pode ver





Você pode ver o que me tornei?
Dizem que no fundo eu sempre fui aquilo que você disse que seria. 
Ainda bem!
Acredito que lutei tanto por isso porque sei que era essa a sua vontade, não sei quando se transformou na minha.
As pessoas estão lá, na primeira fila, esperando por mim, eu sei que daqui a pouco tocará a minha canção e que meus olhos não conseguirão ir além, meus passos vacilarão e quando finalmente me cair a ficha você não estará lá para me abraçar.
Agora você se foi para algum lugar onde eu não posso te trazer de volta. Não é mesmo?
Eu me lembro das pessoas me afastando de você, me impedindo de ir até o seu quarto me despedir, me dizendo que você escolhera um caminho ruim e que o meu lugar não era lá, no meio do caos que você se metera voluntariamente.
E eu ainda permiti. Me arrependo por não ter empurrado a todos, por não ter esperneado como uma criança e ter entrado para te ver.
Odeio imaginar que você esperou por mim a cada último segundo e eu não apareci.
Nunca.
Você jamais saberá o quanto me orgulho de você, até do modo como você morreu, porque eu sei que durante toda a sua vida você buscou o amor, e se era esse o seu caminho, o que mais poderia ser feito?
Então, de onde você estiver, quando eu pisar lá em cima e levantar a minha mão esquerda, quando me presentearem pela realização de um sonho que era seu também, eu vou imaginar você ali, com o sorriso meio torto que você me dava, com as mãos magras e as roupas que você combinava tão elegantemente.
Quando eu pegar o meu diploma e todos ali aplaudirem por ver que fui capaz, eu vou apertar bem forte e vou saber que você, desde o princípio acreditou.
E ele será para você, onde quer que você estiver.


Texto para a 39ª edição musical do Bloínquês.

(Ao som de: Slipped Away - Avril Lavigne)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Let me love you

Pardon the way that I stare
there's nothing else to compare

E as pessoas dizem que fico 'abobada' ao te ver, e dizem não saber como me cabe tanta paixão.
E eu choro na sua frente, me envergonho dos seus olhos e tento fugir, mas não dá. 
Eu não posso parar de te olhar, me falta qualquer coisa essencial, qualquer reação química do meu corpo que deixa de funcionar se me viro pro lado.
Qualquer parte de mim deve ter ficado perdida aí dentro na nossa colisão e agora não há como não buscar, sempre e sempre, por ela.


(Ao som de: Can't Take My Eyes Off Of You - Trilha sonora do filme 10 Coisa que Odeio em Você)
Tradução: Perdoe se te encaro, mas não há nada que se compare.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sem saída




'Eu fui sentindo falta
De um vão pra me esconder.
Quem sabe eu volte cedo
Ou não volte mais'


Sim, estava toda esfolada, mais uma vez. Cansada de cair, sempre.
Mas louca, afoita no sentido mais literal da palavra, de vontade de voar, de fugir dali, de ir pra qualquer lugar mais seu. Mais do seu jeito estranho.
Mais cheio da sua paz.
Estava era exausta daquela tentativa sempre falha de ser outra.
Só que os lábios ainda pediam a liberdade, ainda faziam com que os olhos fossem ao céu suplicantes, incansáveis.
E asas batiam, prontas para outra.


(Ao som de: Confesso - Ana Carolina)


Feliz dia dos professores aos verdadeiros mestres!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quando você tem um Amigo - Para Nicole


Girl, put your records on,
tell me your favorite song.
You go ahead, let your hair down.
I hope you get your dreams.
Just go ahead, let your hair down.
You're gonna find yourself somewhere, somehow.

Certamente não conseguirei te surpreeender novamente, mas eu não me importo. Importa apenas arrancar um sorriso largo.
Importa agradecer do fundo dessa alma piegas e cheia de amor por tudo que você faz sempre por mim, ainda que isso soe insuportavelmente clichê.
Eu tenho sua amizade. Minha benção diária, meu presente, meu Golfinho.
Quem mais seguraria minha mão e cantaria pra mim? Quem mais aguenta minha variação constante de Paulina pra Paola Bracho?
É por você ficar em silêncio, por me proporcionar momentos tão especiais e morrer de vergonha a cada vez que eu grito ou anuncio em neon o quanto eu te amo, sua bobinha, que eu, de fato, te amo tanto.
Estava fadado, afinal, quem mais teria tamanha sensibilidade e paciência para escutar todas as minhas lamúrias?
Eu agradeço tanto por sua vida! Tanto que você é figurinha repetida das minhas orações, sem vergonha nenhuma.
Seria ingratidão não render graças a Ele por te fazer esbarrar comigo, por me fazer ter cara de pau suficiente para te amar de cara.
Ainda que você tente desaparecer, eu vou te achar sempre. Ainda que fique calada como aquela estrelinha teimosa em céu nublado, eu vou querer te sacudir todos os dias para ouvir qualquer coisa que você possa dizer.
Eu quero sua amizade pra sempre, Golfinho.
É egoísmo meu, afinal, você me alegra tanto, me faz tão bem, que eu não posso não querer estar por perto.
Eu espero que o melhor ano da sua vida esteja começando hoje, não quero pensar que ano que vem não estarei por perto quando você atingir os vinte.
Quero imaginar que vou te levar pra qualquer canto como um chaveirinho do qual a gente jamais abre mão.
Te amo amiga.
Não consigo dizer isso de outro modo, não consigo articular bem as palavras pra desejar mais que feliz aniversário, desculpe.
De verdade, obrigada por tudo!! Sempre e sempre.
Felicidades, minha menina, irmã.

Happy Birthday Nicole, Flipper!

(Ao som de: Put Your Records On - Corinne Bailey Rae)

Tradução: Garota, coloque seu som pra tocar/me diga sua música favorita/vá em frente, solte seus cabelos/espero que alcance seus sonhos/apenas vá em frente, solte seus cabelos/você se encontrará em algum lugar, de algum modo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tristes ais


Tanto, é tanto.
Se ao menos você soubesse.
Te quero tanto!

Vai dizer que é a sensibilidade aparurada por algum motivo infantil, ou qualquer coisa do tipo. Só que eu sei que é o acúmulo de tudo, dessa vontade que passa e torna tudo tão pior, porque só faz crescer.
Eu queria que as coisas se resolvessem facilmente, de um jeito simples e resolvido como você explica tão bem as coisas para todas as pessoas.
Droga, você acha que eu não queria ser mesmo essa mulher bem resolvida e cheia de ideais profissionais e intelectuais que os outros enxergam em mim?
Eu seria tão mais leve sendo assim, porque eu ia poder saber que dependendo só das minhas pernas fica bem mais óbvio alcançar.
Só que deixou de depender faz tempo, talvez eu já tenha vindo assim mesmo, com esse espaço aberto pro alheio, e aí naquele esbarrão você me coube tão bem que me dói a alma pensar em não saber o que será de tudo isso.
Desculpa se eu sonho com a casa com quintal, com as minhas coisas e você lá, enfeitando tudo. Sinto tanto se eu preciso de sentir reciprocidade de sonhos, ainda que você olhe pro céu e diga que sou a louca mais sonhadora que já passou por toda a sua vida.
É tanto, se ao menos você soubesse. Tem a ver com ter pesadelos e procurar a sua mão na cama sabe, a ver com zangar porque você deixou a toalha jogada, com passar o domingo na cama fazendo planos.
Ah, eu queria tanto que você entendesse.
Que compartilhasse de tudo isso, que fizesse questão e brigasse pra fazer parte dos meus sonhos, pra estar lá. Queria ver seus olhos brilhando de orgulho ao me ouvir dizer que é você que vai me levar até lá.
Eu só queria a certeza comum de saber que você estará sempre aqui. Sempre. E logo.

(Ao som emocionante de: Tanto - Skank)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

One Breath





'Ela o teria, mesmo que isso a matasse. Mesmo que matasse os dois, ele seria dela'.
Acariciando a barriga ela suspirou mais forte, tentando levar para longe a dor que a tomava e fazia seu corpo tremer.
Pisou mais fundo no acelerador e atravessou mais um sinal vermelho. A rua deserta tornava tudo mais simples, a chuva que aparentemente não demoraria a cair anunciava com um vento que logo o mundo acabaria em água. 
De longe ela quase podia ouvir a voz dele insistindo para ir em frente, o filho tinha que nascer, ele tinha que dar continuidade a vida que o pai perdera tão ridicularmente.
E agora ela precisava arrancar forças de qualquer lugar para levá-lo, lágrimas vinham fortes e caíam sobre a barriga, a fazendo tremer.
Talvez todos morressem e o futuro fosse algo não concretizado, como os sonhos em que ele embalava o filho e ensinava a ele como puxar o seu cabelo de um jeito implicante.
Mas haviam promessas a serem cumpridas, ele precisava nascer, nem que isso implicasse a morte dela.
Freando bruscramente ela abriu a porta do carro e caminhou amedrontada vendo o sangue sair de si.
Estava no hospital, haveria ainda alguma chance de tê-lo em seus braços.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sonhos que podemos ter


'Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão
Sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão'

No meio de milhares de sentimentos que me ocupavam, a liberdade foi mais forte. Ela veio tão vibrante, vestida de roxo quase cintilante, dançando e dando pequenos saltos vez ou outra, inundava meu estômago, trazia brilho para os meus olhos e leveza para os passos confusos, em um lugar tão novo.
O mais estranho era justamente não me assustar com o fato de não conhecer nada nem ninguém, eu me sentia tão dali. Tão feita sob medida pro espaço no meio do monte de gente alegre e com vontade de saber mais.
Como no poeminha do Quintana: 'se as coisas são inatingíveis, ora, não é motivo para não querê-las, que triste os caminhos se não fora a distante presença das estrelas'.
De um jeito gostoso eu desejei tanto que pareceu ser possível, pareceu bem mais próximo, mais real. Palpável.
E quero mesmo que seja, afinal, agora vejo que depende só de mim.
Da melhor viagem do ano eu trouxe a vontade de ser mais forte que penso ser capaz de ser. Filosofia estranha e complicada. Mas se até naquele calor houve chuva de gelo, porque eu não posso ir além do medo e do preconceito e chegar até lá?
Preciso muito agradecer a todos que conspiraram a meu favor e me permitiram tudo isso, fundamentalmente àquela que ocasionou e me mostrou que ali era o meu lugar. Obrigada por sempre acreditar em mim.
É bom estar de volta, ainda que tenha deixado boa parte de mim por lá, é melhor ainda saber que não vou me esquecer de tudo, logo logo vou buscar o que me falta.
Se Deus permitir e fortalecer minhas asas.


(Ao som de: Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii)

'Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta:
Não há quem explique
E nem quem não entenda'.
(Cecília Meirelles)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Estilo de Vida


'Guarde para o momento certo o que você tem

Respeite a palavra de Deus pro seu próprio bem

Se você me ama e a você também'

A sociedade atual prega descaradamente o sexo. Ele está nas novelas, nos filmes, nas canções e quando se permite, no pensamento.
Ser sensual deixou de ser um padrão de beleza e tornou-se uma necessidade para ser aceito. 
Ao que se diz as regras evoluíram, 'agora a moda é namorar pelado'.
Entretanto, fora de moda ou não, manter-se puro não é apenas uma alternativa para evitar gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis, faz parte do modo de avaliar o sexo como de fato ele é: um complemento ao verdadeiro e puro Amor, o maior momento de intimidade entre duas pessoas.
Quando alguém se propõe a esperar o momento certo está dizendo a Deus que o seu corpo, ainda que falho e feito de carne, quer ser consagrado, quer seguir as suas leis, estar mais digno do momento.
Obviamente a teoria é mais fácil que a prática, ou melhor, a falta de prática, mas quando se tem um propósito, quando se quer de fato servir a Deus, a força vem dEle.
Pense bem, o que você terá a oferecer quando levar a sua vida e de mais alguém ao altar do Senhor?


(Ao som de: Depois do Casamento - Dj Alpiste)
Texto para a Ed. Opinativa do Bloínquês

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Como salvar uma vida?




'A medida que ele começar a levantar a voz, você baixa a sua e concede a ele uma útima chance.'  - pensava enquanto olhava fixamente os lábios dele se moverem  freneticamente, em mais uma briga.
Não entendia como conseguiam brigar tanto, como ele sempre tinha motivos, óbvios ou não, como havia forças depois de um dia de trabalho cansativo para tantas palavras jogadas como caco de vidro grosso de garrafa velha, tudo ali, na cara dela.
Críticas e lágrimas, vindas de direções contrárias eram tão comuns que talvez ela só precisasse respirar fundo e logo tudo voltaria ao normal.
O pai gritava e a fazia tremer, a mãe recolhia os talheres espalhados pelo chão, no canto da cozinha, abraçada aos joelhos ela não queria rezar, tinha medo de fechar os olhos e ao abri-los ele não estar mais ali.
Apesar de assustador, ela o amava, Amor daquela natureza boa das crianças, cheio de vontade de pegar pela mão e mostrar o caminho certo.
Resignava-se ao desatento, enquanto eles discutiam em um diálogo desleal, olhares da mãe e palavras dele.
Sempre, aquelas palavras que a seguiriam pelo resto da vida, mesmo quando fosse uma adulta e tentasse construir o seu mundo perfeito com alguém.
Mesmo quando ele não mais tivesse voz e os olhos da mãe já estivessem vermelhos de tanto chorar.
Respirou fundo e mais uma vez sonhou, despetalando flores imaginárias que viriam com a primavera. 
Um dia, quem sabe.




(Ao som de: How To Save a Life - The Fray)
(Texto para a Ed. Musical do Bloínquês, no começo era uma história de Amor, mas se transformou não sei como. Espero que gostem!)
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